Quando pai viajava pra cidade com os cabras pra vender o gado me deixava tomando conta da casa em seu lugar. Ficava também o Zequinha, um negrinho alto e magro que pai pegou pequeno pra cuidar. Tratava como filho, mas filho mesmo era eu.
Quando o sol já tinha passado do meio do céu indo pros lados dos morros eu cismei de me enfiar no mato pra matar preá com a carabina vinte dois que pai tinha me dado quando voltou depois que vendeu o gado.
Mãe tava na cozinha preparando janta e Zequinha tava dando milho pras galinhas. Chamei ele pra ir comigo mas ele disse que num tava com vontade. Mandei ele avisar mãe.
Já tinha andado um bocado pelos matos e nada de ver algum bicho pra descarregar chumbo. Até que comecei a ouvir uns grunhidos, uns uivo como bicho machucado, preso em armadilha. Então fui andando cauteloso em direção aos barulhos já com intenção de aliviar o sofrimento do bicho.
Quando abri o mato com o cano da vinte dois vi foi a xispinha, nossa cachorra engatada com um outro cachorro que uivava. Tavam os dois ali na maior sem-vergonhice se aliviando do cio e nem perceberam que eu espionava tudo.
Apontei a vinte dois pra cabeça do cachorro safado e fiz pontaria. Meu dedo coçando no gatilho, doido pra estourar os miolo dele. Sentia uma satisfação estranha, uma coisa em meu estomago, uma tremedeira nas pernas. O dedo foi ficando mole, a arma pesando na mão, o braço descendo. Os grunhidos de xispinha e o uivo do cachorro me faziam lembrar alguma coisa que já tinha ouvido e não lembrava.
Depois que acabaram eles se enfiaram pelo mato, cada um prum lado.
O sol já tava quase tocando nas montanhas quando voltei. As galinhas tudo empoleiradas pra dormir, da cozinha vinha um cheiro de bolo de milho. Mãe sabia que eu gostava. Pena que não encontrei nenhuma preá pelo caminho.
Tava chegando perto da janela e ouvi uns grunhidos, uns gemidos. Pensei logo naquele cachorro e que xispinha devia estar machucada. Devia ter dado um tiro nele, pensei com raiva.
Cheguei na janela devagar e vi Zequinha em cima de mãe. O vestido dela levantado até o pescoço, as calças dele jogada no chão junto com a camisa. As mão dela apertando o corpo dele enquanto aquela coisa preta dura comprida e fina entrava e saia de dentro dela. Zequinha grunhia como xispinha e mãe soltava uns uivo curto, uns gemido.
Apertei a vinte dois com força. Meu peito batendo como chocalho de cascavel que vai dar o bote. A carabina apontando pra cabeça de Zequinha que metia a coisa preta dura comprida e fina cada vez mais rápido em mãe que se agitava e gemia mais alto.
O dedo no gatilho foi ficando duro. Uma coisa crescendo dentro de mim. As pernas querendo desabar. Meu corpo tremeu. O dedo afrouxando no gatilho. Quando dei por mim o sol tinha caído por trás das montanhas e da minha coisa que tinha ficado dura tava escorrendo uma coisa grossa e quente.
(A orgia dos cães / Ivo Linhares)
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