Por dentro de cada um existiam muitas
verdades. Cada uma delas se mantinha afastada do outro por mera precaução.
Havia um escrupuloso medo de se apaixonarem e ambos tinham bem certeza de que não
saberiam lidar com toda aquela coisa que vem quando isso acontece.
Ele se despiu em seu banheiro ao
mesmo tempo em que ela, em sua cidade também se despia no banheiro. Parecia um
filme, uma comédia romântica em que vemos cada um numa metade da tela fazendo
absolutamente tudo igual.
Ele olhou seu rosto no espelho e
enquanto alisava seu queixo pensando se fazia ou não a barba ela olhava o
reflexo de seu corpo pelo blindex do box. Aos trinta e cinco anos estava no
auge de sua forma física, no auge de seu tesão. Pensava nele e o desejava,
porém, havia aquela coisa desnecessária chamada amor.
Ele dobrou o braço medindo
visualmente pelo espelho o bíceps. Era vaidoso. Malhava três vezes na semana.
Tirava um ou outro dia só para olhar as menininhas com suas roupas coladas e
eroticamente indecentes, provocativas, enquanto fingia malhar. As vezes, e só
as vezes, imaginava o corpo dela ali, se expondo, atraindo os olhares. A rainha
da academia. Divertia-se com aquela competição entre elas.
Ela abriu o chuveiro e a água foi
percorrendo num jato seus seios, seu ventre, seu sexo e ativando seu desejo.
Fechou os olhos e pensou no corpo dele. O tórax definido, os braços torneados.
O rosto negro, os olhos como flechas de Oxossi mirando a caça.
Ele ensaboou o corpo olhando para cima, vendo
a água descendo do chuveiro. Estendeu a língua e deixou que o líquido quente,
em sua imaginação, fosse o resultado dos movimentos de sua língua na vagina
dela. E deixou a água entrar por sua garganta sentindo seu pau crescer.
O dedo indicador dela rodava
suave por seu clitóris enquanto pensava na ágil língua que ele deveria ter. Outro
dedo, sem dificuldade, entrava por sua vagina.
Ele friccionava de leve a cabeça
do pau sentindo o corpo se retrair.
Ela já metia o dedo com força. Apertava
e esticava o bico do seio quase que em transe.
A mão dele agora ia do inicio ao
fim do membro sentindo todo o corpo quente, pulsando como uma galáxia que vai
explodir espalhando novos planetas pelo universo.
Ela jogou a cabeça para trás. Por
um milionésimo de segundo se perdeu dos ruídos do mundo. Todos os sentidos
desapareceram e o que veio foi uma explosão de luz em seu corpo.
Ele se curvou para frente e um jato
forte colidiu com a água enquanto de sua garganta saia uma espécie de urro,
como uma saudação ao seu gozo.
Mas tarde, em frente ao
computador, ambos esperavam uma oportunidade de contar ao outro como havia sido
aquele dia.
(Sexo virtual / Ivo Linhares)
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