quinta-feira, 27 de setembro de 2012

AMOR E MEDO (31ª parte)



- Não procure entender o que aconteceu entre nós, apenas sinta e obedeça.

O advogado ficou me olhando, pensando no que lhe havia dito. 
      
- Desde o instante em que o primeiro homem desferiu o primeiro golpe sobre outro homem e gostou do que sentiu o sentimento de prazer suplantou o de culpa. Se não fosse assim nenhum soldado iria para a guerra. Você acha que os romanos que crucificaram Jesus não sentiram nenhum prazer em vê-lo sofrer? Eles foram punidos por torturar Jesus?

         Ele continuou me olhando.

- Você os culparia por esse comportamento? 

         Seu olhar continuava fixo ao meu.

- Não se envergonhe do que sentiu. Nunca. Nem sinta culpa. Esta sim, não te dará prazer algum.


 (Fim da 31ª parte – continua)

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terça-feira, 25 de setembro de 2012

AMOR E MEDO (30ª parte)



No inicio, Kazuo Hirata deu toda a atenção que Midori Hirata precisa ter, mas aos poucos foi percebendo que sua presença não representava mais nada na vida de sua mulher. Compreender o que se passava com ela era uma tarefa, muitas vezes, impossível. O comportamento apático, as manias, as obsessões, o hábito de estar sempre vestida com o sobretudo, mesmo para dormir o assustava. Midori tinha ido para um outro mundo. Kazuo compreendia somente que a cada dia a distancia entre eles aumentava tornando o relacionamento mais difícil. Quando ele falava alguma coisa Midori demorava a responder como se não estivesse entendendo ou simplesmente não quisesse responder. Kazuo passou a chegar tarde em casa, cada vez mais tarde. Encontrava-a invariavelmente na mesma posição, a cabeça enfiada entre os joelhos, vestida com o pesado casaco. Chamava seu nome e pedia para que fosse para seu quarto, dormir, descansar. Midori erguia a cabeça, continuava imóvel, olhar fixo em algo que ele não via. Aos poucos deixou de falar, de responder. Agia automaticamente. Amami Ryoko, uma jovem enfermeira contratada para cuidar dela, demitiu-se após duas semanas porque Midori tentou beijá-la e pedia para que batesse nela.
         Por indicação do Doutor Okajima e sem esboçar reação contrária, Midori Hirata foi levada para uma clinica de repouso.  
          Kazuo Hirata se sentiu aliviado.   

 (Fim da 30ª parte – continua)

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AMOR E MEDO (29ª parte)



         A lamina da katana desceu rápido, num golpe firme, preciso, de cima para baixo. Midori Hirata, de olhos fechados, ouviu o leve zumbido da lamina cortando o ar. Abriu os olhos e continuou imóvel por alguns instantes, respirando calmamente. Inclinou a cabeça lentamente em direção ao chão. A ponta da lamina parara a milésimos do ovo. Midori Hirata sorriu. Era a vigésima quinta vez que executava esse movimento deixando o ovo intacto. Fechou novamente os olhos e ergueu a katana num movimento suave alinhando a guarda da espada a altura de seu ombro. Permaneceu nessa posição até sentir a espada como continuação de seu braço. Em sua mente via o ovo, apenas o ovo. O golpe foi dado quando já não sentia seu corpo, sua respiração. Demorou mais para abrir os olhos dessa vez. Quando os abriu constatou que havia aberto a parte de cima do ovo deixando a gema e a clara em seu interior. 
          Exatamente como imaginou que faria.   



 (Fim da 29ª parte – continua)

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AMOR E MEDO (28ª Parte)



         Koike Satoshi voltou a olhar o dossiê de Sayuri Kuroki. Sabia que só poderia descobrir alguma coisa olhando aquele material e mais os objetos trazidos por Midori. Olhou por várias vezes a lista com os nomes das mulheres. Não as conhecia. Pessoas simples talvez, ou não eram seus verdadeiros nomes. Entretanto, o nome de Midori Hirata estava lá e ela existia. Poderia ela ter dado seu nome verdadeiro ou Sayuri a investigou?
         Sentou-se em frente ao computador e começou a digitar o primeiro nome: Suzuki Yoshida.
         Para sua tristeza aparecem milhares de indicações.        


 (Fim da 28ª parte – continua)

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

AMOR E MEDO (27ª parte)



         Depois que Midori saiu, Tomiko retomou os afazeres domésticos. Entretanto, sentia a estranha sensação de querer compreender o que era ser amada por uma mulher. Como seria possível duas mulheres se amarem como homem e mulher? Como poderiam andar pelas ruas abraçadas, como poderiam se beijar a vista de todos? Agir com naturalidade se todos estariam condenando-as? E por mais que achasse que o amor supera tudo, não conseguiu ver saída para esse tipo de amor.   


 (Fim da 27ª parte – continua)

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