terça-feira, 4 de setembro de 2012

AMOR E MEDO (19ª parte)


         Até então, não era uma mulher intensa. Era uma mulher doutrinada a aceitar o que havia. Sayuri nunca me disse como ser, como entender meu prazer, como gozar. Eu descobri. Descobrir algo quando não se busca é fantástico. É um impacto. A coisa estava ali, sempre esteve e você não sabia, não se dava conta. Entretanto, agora tudo era possível. Tudo. Tudo mesmo. Assim como agora eu tinha o desejo de ser possuída por aquele homem de olhar apagado, um pouco envelhecido para a possível idade que deveria ter, pai de uma linda garota que eu desejava beijar, ter em meus braços. Queira senti-lo dentro de mim mas impedi-lo de comandar meu prazer, meu gozo. Mas e depois, o que fazer com ele? Ama-lo, odiá-lo, dizer que foi apenas aquilo, sexo e nada mais? Não. Não existe só sexo, existe um movimento que leva ao sexo. Esse movimento que antecede nossa ação e que deixamos passar, que não precisamos entender é o mais fundamental de todos. É naquela fração de segundos que minha verdadeira parte surge e diz quem sou e porque sou. Arrepender-me do que aconteceu é uma tentativa desesperada de evitar de me ver como sou.
- Tire sua roupa agora.
         Minha voz sai suave, porém impositiva. O advogado me lança um olhar interrogativo.
- Tire toda a sua roupa começando pela gravata.
         Olho-o sério. Um olhar implacável, feroz. A voz mais baixa do que antes. Ele continua parado, o olhar petrificado, provavelmente com o coração acelerado. Esta lutando para não ser dominado, para não ceder, para mostrar que é ele quem manda.
- A gravata.
         Estendo a mão e espero que ele cumpra minha ordem. Ele não sabe o que acontecerá. Imagina. Quero que se submeta. Quero que experimente. Quero que se deixe mostrar o quem tem dentro de si.     
(Fim da 19ª parte - continua)

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