Até então, não era uma mulher intensa.
Era uma mulher doutrinada a aceitar o que havia. Sayuri nunca me disse como
ser, como entender meu prazer, como gozar. Eu descobri. Descobrir algo quando
não se busca é fantástico. É um impacto. A coisa estava ali, sempre esteve e você
não sabia, não se dava conta. Entretanto, agora tudo era possível. Tudo. Tudo
mesmo. Assim como agora eu tinha o desejo de ser possuída por aquele homem de
olhar apagado, um pouco envelhecido para a possível idade que deveria ter, pai
de uma linda garota que eu desejava beijar, ter em meus braços. Queira senti-lo
dentro de mim mas impedi-lo de comandar meu prazer, meu gozo. Mas e depois, o
que fazer com ele? Ama-lo, odiá-lo, dizer que foi apenas aquilo, sexo e nada
mais? Não. Não existe só sexo, existe um movimento que leva ao sexo. Esse movimento
que antecede nossa ação e que deixamos passar, que não precisamos entender é o
mais fundamental de todos. É naquela fração de segundos que minha verdadeira
parte surge e diz quem sou e porque sou. Arrepender-me do que aconteceu é uma
tentativa desesperada de evitar de me ver como sou.
- Tire sua roupa
agora.
Minha voz sai suave, porém impositiva.
O advogado me lança um olhar interrogativo.
- Tire toda a sua
roupa começando pela gravata.
Olho-o sério. Um olhar implacável,
feroz. A voz mais baixa do que antes. Ele continua parado, o olhar petrificado,
provavelmente com o coração acelerado. Esta lutando para não ser dominado, para
não ceder, para mostrar que é ele quem manda.
- A gravata.
Estendo a mão e espero que ele cumpra
minha ordem. Ele não sabe o que acontecerá. Imagina. Quero que se submeta.
Quero que experimente. Quero que se deixe mostrar o quem tem dentro de si.
(Fim da 19ª parte -
continua)
®Direitos de
reprodução reservados
Nenhum comentário:
Postar um comentário