terça-feira, 4 de setembro de 2012

AMOR E MEDO (21ª parte)


                Talvez tenhamos gozados juntos. Não sei. Minutos depois que gozei peguei-lhe o pau que pulsava fraco e já demonstrando uma certa flacidez. O corpo dele estava suado e quente. Afastei-me, a respiração ofegante, o corpo úmido. Peguei o sobretudo e me vesti. Mais ou menos recuperada aproximei-me dele e sussurrei em seu ouvido:
- Agora você é meu e deve me obedecer sem questionar. Você entende?
        Ele mexeu levemente a cabeça concordando.
        Saio sem fazer qualquer barulho. Espero o elevador.
Imagino o advogado se arrastando, contornando a mesa para soltar a gravata do puxador. O corpo suado, a bunda ardendo, marcada pelas palmadas, o torpor que fica depois do gozo. Ele sabe que não será mais o mesmo. Sentirá vergonha ao me ver novamente. Não saberá o que dizer. Agora eu o domino completamente. E ele sabe disso.
        Descendo pelo elevador vejo as figuras passando pelas paredes  encardidas, mofadas. Por alguns segundos tenho a impressão de que se olhar com carinho poderei ver arte naquela sujeira.

 (Fim da 21ª parte - continua)

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