terça-feira, 4 de setembro de 2012

AMOR E MEDO (18ª parte)


- A natureza humana é complexa demais para que possamos entendê-la. E não falo somente de nossos desejos, mas de todos os aspectos que possam alterar nosso equilíbrio diante de fatos corriqueiros. Um acidente no transito, por exemplo, pode levar a uma discursão incontrolável na busca por justificar seu direito ou seu erro. Nossa natureza estará sempre em conflito por causa do outro. Ao mesmo tempo que esse outro nos move ele também acaba por ser o culpado por nossa paralisia diante de nós mesmos.  Nunca soube entender o que minha mulher de fato queria. Ou não quis ver porque sabia que não poderia lhe dar. Como vê, agora entendo o que a levou a procurar Sayuri.
- Não, não entende. Supõe apenas que entende porque eu mesma não sei o que me levou a ela. Tinha uma vida que não era a minha vida, como a sua também não deve ser porque você não vive o que quer, mas o que a sociedade diz que deve viver. E se sai do determinado esta fora, é excluído, não se enquadra no normal. A questão é: está preparado para assumir esse risco? Tem certeza de quer ser você mesmo?
        Ele apenas me olhou e vi que a duvida havia se instalado. O corpo pendeu ligeiramente para frente como se precisasse fugir para não responder.
- Não viveremos muito tempo porque o tempo não existe. Existe o momento, o segundo, o instante em que tudo acontece ou não. Depois ou se sonha ou se esconde.
        O advogado continuou me ouvindo. Achei estranho que continuasse mudo, pois advogados sempre falam muito. Então percebi que ali na minha frente já não estava o advogado, mas apenas um homem. Subitamente me senti excitada. Meu desejo foi despir-me lentamente e deixar que me possuísse. Era necessário controlar esse impulso.
        
(Fim da 18ª parte - continua)

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