- A natureza
humana é complexa demais para que possamos entendê-la. E não falo somente de
nossos desejos, mas de todos os aspectos que possam alterar nosso equilíbrio
diante de fatos corriqueiros. Um acidente no transito, por exemplo, pode levar
a uma discursão incontrolável na busca por justificar seu direito ou seu erro.
Nossa natureza estará sempre em conflito por causa do outro. Ao mesmo tempo que
esse outro nos move ele também acaba por ser o culpado por nossa paralisia
diante de nós mesmos. Nunca soube
entender o que minha mulher de fato queria. Ou não quis ver porque sabia que
não poderia lhe dar. Como vê, agora entendo o que a levou a procurar Sayuri.
- Não, não
entende. Supõe apenas que entende porque eu mesma não sei o que me levou a ela.
Tinha uma vida que não era a minha vida, como a sua também não deve ser porque você
não vive o que quer, mas o que a sociedade diz que deve viver. E se sai do
determinado esta fora, é excluído, não se enquadra no normal. A questão é: está
preparado para assumir esse risco? Tem certeza de quer ser você mesmo?
Ele apenas me olhou e vi que a duvida
havia se instalado. O corpo pendeu ligeiramente para frente como se precisasse
fugir para não responder.
- Não
viveremos muito tempo porque o tempo não existe. Existe o momento, o segundo, o
instante em que tudo acontece ou não. Depois ou se sonha ou se esconde.
O advogado continuou me ouvindo. Achei
estranho que continuasse mudo, pois advogados sempre falam muito. Então percebi
que ali na minha frente já não estava o advogado, mas apenas um homem. Subitamente
me senti excitada. Meu desejo foi despir-me lentamente e deixar que me possuísse.
Era necessário controlar esse impulso.
(Fim da 18ª parte - continua)
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