terça-feira, 25 de setembro de 2012

AMOR E MEDO (30ª parte)



No inicio, Kazuo Hirata deu toda a atenção que Midori Hirata precisa ter, mas aos poucos foi percebendo que sua presença não representava mais nada na vida de sua mulher. Compreender o que se passava com ela era uma tarefa, muitas vezes, impossível. O comportamento apático, as manias, as obsessões, o hábito de estar sempre vestida com o sobretudo, mesmo para dormir o assustava. Midori tinha ido para um outro mundo. Kazuo compreendia somente que a cada dia a distancia entre eles aumentava tornando o relacionamento mais difícil. Quando ele falava alguma coisa Midori demorava a responder como se não estivesse entendendo ou simplesmente não quisesse responder. Kazuo passou a chegar tarde em casa, cada vez mais tarde. Encontrava-a invariavelmente na mesma posição, a cabeça enfiada entre os joelhos, vestida com o pesado casaco. Chamava seu nome e pedia para que fosse para seu quarto, dormir, descansar. Midori erguia a cabeça, continuava imóvel, olhar fixo em algo que ele não via. Aos poucos deixou de falar, de responder. Agia automaticamente. Amami Ryoko, uma jovem enfermeira contratada para cuidar dela, demitiu-se após duas semanas porque Midori tentou beijá-la e pedia para que batesse nela.
         Por indicação do Doutor Okajima e sem esboçar reação contrária, Midori Hirata foi levada para uma clinica de repouso.  
          Kazuo Hirata se sentiu aliviado.   

 (Fim da 30ª parte – continua)

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