No inicio, Kazuo Hirata
deu toda a atenção que Midori Hirata precisa ter, mas aos poucos foi percebendo
que sua presença não representava mais nada na vida de sua mulher. Compreender
o que se passava com ela era uma tarefa, muitas vezes, impossível. O
comportamento apático, as manias, as obsessões, o hábito de estar sempre
vestida com o sobretudo, mesmo para dormir o assustava. Midori tinha ido para
um outro mundo. Kazuo compreendia somente que a cada dia a distancia entre eles
aumentava tornando o relacionamento mais difícil. Quando ele falava alguma
coisa Midori demorava a responder como se não estivesse entendendo ou
simplesmente não quisesse responder. Kazuo passou a chegar tarde em casa, cada vez
mais tarde. Encontrava-a invariavelmente na mesma posição, a cabeça enfiada
entre os joelhos, vestida com o pesado casaco. Chamava seu nome e pedia para
que fosse para seu quarto, dormir, descansar. Midori erguia a cabeça, continuava imóvel, olhar
fixo em algo que ele não via. Aos poucos
deixou de falar, de responder. Agia automaticamente. Amami Ryoko, uma jovem enfermeira
contratada para cuidar dela, demitiu-se após duas semanas porque Midori tentou
beijá-la e pedia para que batesse nela.
Por indicação do Doutor
Okajima e sem esboçar reação contrária, Midori Hirata foi levada para uma
clinica de repouso.
Kazuo Hirata se sentiu aliviado.
(Fim da 30ª parte – continua)
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