quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Sexo Virtual (contos)



A cabeça caiu no cesto e a multidão em uníssono urrou de alegria.

O corpo do rei Luis XVI, que ainda se estremecia em convulsões, foi retirado do cadasfalso.

Ela despertou do transe e a imagem do rei decapitado evaporou-se de sua mente. Sentiu depois que parte do pênis do homem em convulsão, havia entrado em sua vagina, devido a violência do golpe ou a pressão do sangue que o fizera ter uma ereção. O sangue dele escorria por seus seios e ela ainda continuava segurando com força o facão. A decapitação foi precisa e por pouco a cabeça do homem não havia caído ao chão.

A mulher deixou o corpo descer sobre o homem e o pênis se alojou em sua vagina com facilidade. Ainda pulsava, continuava enrijecido. Ela se ergueu devagar e sentiu o órgão sair um pouco. Todo seu corpo se arrepiou e ela voltou a sentar-se. Olhou a cabeça, caída de lado, os olhos semifechados, a boca pequena um pouco contorcida. Então, sem pensar, guiada pela adrenalina, começou a movimentar-se sobre o corpo, devagar, num movimento idêntico aqueles feitos pelas crianças nos cavalinhos em parques de diversões.

E novamente sua memória voltou no tempo, agora mais recente, e a cada volta do carrossel via a imagem do pai sorrindo, o algodão doce muito branco na mão esquerda enquanto acenava-lhe com a direita.

A cada passada do carrossel procurava empinar o cavalinho e sentia uma sensação gostosa entre suas pernas e via seu pai sorrindo, e desejava comer o algodão doce tão branquinho que o pai segurava.

Desperta do gozo abraçada ao corpo decapitado, o sangue cobrindo-lhe o corpo, o sexo.

Cuidadosamente deita o corpo sem cabeça na mesa e com esforço sai de cima dele. Do pênis, ainda duro, brotam algumas gotas de sangue.

Instintivamente pega no pote sobre uma bancada um pouco de algodão e limpa o sangue do pênis e o olha fixamente.

O passado, como espuma trazida pelas ondas a leva até aquele dia em que também de seu sexo saiu sangue, que seu pai limpou com cuidado e carinho com um algodão tão branco quanto aquele do parque.

Em sua casa, depois de tomar um banho demorado, recapitulou todos os passos antes de sair da casa do homem para ter certeza de que havia apagado todos os vestígios de sua estada por lá.

Ainda enrolada na toalha foi a cozinha e preparou um copo de leite quente. Passou pela sala e pegou a sacola com as únicas coisas que retirara de seu falecido cliente.

Em seu quarto, confortavelmente recostada sobre as almofadas sobre a cama abriu a sacola e retirou o laptop que ele deve ter usado para contratá-la e o pote de vidro com o pênis, ainda expelindo gotas de sangue.

De certa forma, aquilo lhe trazia boas recordações de sua infância.


(Sexo virtual – Ivo Linhares)      

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

SEXO VIRTUAL - CONTOS)

Ela riu. Apesar de todo o pavor que sentia, ela riu. Isso o irritou . Deu-lhe um tapa tão forte que se ela não estivesse amarrada seria arremessada a alguns passos dele.
Ela riu mais alto. Apesar de todo o medo que sentia, ela continuou rindo. Ele fez menção de novo golpe, porém o gesto parou no ar. Ela continuava rindo.
O homem a olhou com ódio. Muito mais ódio do que entendia sentir. Até então ela não era nada. Uma vagabunda que pegou pela internet, naqueles sites de prostituição e pagou para ter sexo com ela. Mas sua intenção era outra. Sentia a maravilhosa compulsão de feri-las, tortura-las, deliciava-se com o desespero delas diante do sangue, da morte iminente.
Entretanto, aquela maldita prostituta ria de algo que ele não conseguia compreender. A cada corte, a cada golpe, ela ria gostoso, como quem esta se maravilhando com tamanha dor.
Então ele começou a sufoca-la mas ela, ainda que sem conseguir respirar continuava rindo. Ele se descontrolou. Aquilo não era normal. Ela perdeu os sentidos e ele limpou o suor da testa. Pensou em mata-la de uma vez. Pegou o facão e ficou olhando para o pescoço. Para as marcas vermelhas.
Queria mata-la. Separar aquela boca maldita que ria do resto do corpo e fazer o que precisava fazer. Porém, algo o impedia. A voz em sua cabeça ordenava que desse o golpe, mas ele fingia não a ouvir. Olhava o rosto da mulher e dessa vez, não viu aquela expressão que sua mãe fez quando o pegou se masturbando com o recorte da figura do presidente Kennedy. Precisava vê-la ou o ritual não teria sentido. Sua mãe nunca mais riu daquele dia em diante. Como ele próprio também deixara de rir.
A mulher tossiu. A voz repetia que devia mata-la logo. Ela tossiu mais forte. Abriu os olhos, a figura do homem foi ficando nítida. Ela controlou o medo e antes que ele falasse ou fizesse algo ela disse com voz terna e calma:
- Você não precisa mais punir a mamãe. Eu te amo e entendo tudo que acontece dentro de você. Não estou mais zangada.
O homem a ficou olhado. Ela continuou, ainda calma e maternal.
- O que aconteceu não pode ser mudado. Mas agora eu entendo você.
- Mas naquele dia a senhora ficou tão brava...
- Eu sei, eu não entendia o que você sentia. Ainda era uma criança para mim. Mas agora nós podemos acertar tudo. Não é isso que quer?
A voz dentro dele estava confusa. Ele a ouvia muito baixinho em sua cabeça.
- Então, quer acertar tudo de uma vez e voltar a ser o meu filhinho amado?
- E o que tenho que fazer?
- Primeiro quero saber se você fará tudo que mamãe mandar sem fazer perguntas. Fará?
Ele ficou olhando para o nada durante um tempo. Ela não falou nada, esperou que ele se decidisse.
- O que a senhora quer que eu faça?
- Jure que fará.
- Juro.
- Sabe que não pode quebrar um juramento não sabe?
-Sei.
- Bom menino. Quero que você venha cá e me beije na boca. Mas quero um beijo muito bom.
Os olhos do homem piscaram várias vezes.
- Não se esqueça de que prometeu.
Ele se aproximou e a beijou. Ela tomou cuidado para não assustá-lo, mas aos poucos ele foi se soltando e acabou por enfiar a língua na boca da mulher.
Depois ele se afastou e ela pediu:
- Agora tire minhas roupas e olhe meu corpo. Mas faça devagar, como se minhas roupas fossem as suas roupas.
Delicadamente ele fez o que ela pediu e ela podia ver em seu rosto um desenhar de prazer se formando.
- Agora tire suas roupas também devagar.
Ele fez como ela disse.
- Agora vem o mais importante. Pegue seu membro e esfregue em mim, com cuidado, como se eu fosse de vidro.
Como um robô o homem foi fazendo o que ela queria.
- Agora enfie devagar seu membro dentro da mamãe, devagar, bem devagar.
Dito isso o homem foi introduzindo lentamente e com esforço, uma vez que não havia lubrificação que facilitasse a entrada.
- Pare. Desse modo esta difícil. Deixe mamãe ficar por cima para facilitar. Vamos, ajude mamãe. Solte meus braços e continue olhando para meus seios. Lembra quando eu deixava você beber leite neles? Você gostava tanto, lembra?
O homem a soltou enquanto ela o fazia se lembrar de momentos que nunca viveu de fato.
- Agora deite e segure com as duas mãos seu membro que mamãe vai ficar por cima e pô-lo dentro dela. Feche os olhos e pensei o quanto isso vai ser gostoso.
Mal ele segurou o pau com as duas mãos ela o montou e travou suas mãos com as pernas de forma firme, mas sem que ele percebesse.
Depois, num rapidíssimo gesto apoderou-se do facão e num golpe sem piedade cortou-lhe a cabeça.

(Sexo Virtual – Ivo Linhares)

domingo, 23 de dezembro de 2012

SEXO VIRTUAL - CONTOS)


            Ana Clara sentiu a língua rodopiar em seu anús como gira a hélice de um helicóptero quando é ligado. Seus olhos se arregalaram e sua boca se abriu sem emitir qualquer som. Era a primeira vez que alguém lhe tocava em ponto tão intimo e inexplorado.
            No dia seguinte, o dia todo, esperou por uma ligação que não veio. Ficou até tarde no facebook e nada. Foi dormir triste e ansiosa. De madrugada acordou do nada e de estalo se lembrou daquela língua. Umedeceu o dedo com a própria saliva e experimentou reconstituir a sensação. Não chegou perto, mas aliviou seu corpo do desejo daquele toque.
            A tarde continuou esperando que ligasse. Mas recebeu uma orquídea com o pedido de desculpas por não ter ligado. O cartão não tinha assinatura. Não podia ter.
            A mãe ficou desconfiada. Era coisa de homem casado. Não assinar um cartão com uma flor tão delicada e bela? Era casado sim.
            A noite, acordou sonhando com a língua em seu corpo, a vagina pulsando, o suor tomando-lhe o corpo, molhando o lençol. Uma semana depois de receber a flor que ainda continuava linda e não haviam mais se encontrado.
            Saiu da escola, caminhou até o ponto, mas antes de pegar o ônibus o carro parou e a porta se abriu. Sorriu como uma orquídea. Entrou apressada, a memória do corpo assanhando o anús, ansioso, desesperado por aquela língua.
            O carro seguiu. No primeiro sinal se olharam. Ana Clara passou a mão pelos cabelos de Lucinha e declarou:
- Meu corpo sentiu a sua falta.
           
(Sexo Virtual – Ivo Linhares) 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

AMOR E MEDO (61ª parte)


            Koike deixou a velha construção abandonada, que no tempo da guerra serviu como fabrica de munições, logo após ter contado até cem, como o velho mandara. Era tarde e a estrada continuava deserta. Caminhou apressado pelo único caminho que parecia existir enquanto se lamentava por não ter pedido ao motorista do taxi que o esperasse.

            Já havia caminhado algo em torno de quinze minutos e durante esse tempo não havia passado nenhum carro que  pudesse lhe dar carona. Continuava andando e para despistar a apreensão que começava a tomar sua mente, tentou recompor seu encontro com o emissário da irmandade.  Seu andar cada vez mais lento indicava que seu corpo não estava preparado para tamanho desafio. Olhava a estrada mal iluminada e continuava andando cada vez mais lento. Sabia que não podia parar, devia continuar andando até que realmente todas as suas forças lhe abandonassem e ai, sem alternativa, procuraria um lugar para descansar.

            Aos poucos notou que três vultos caminhavam em sentido contrário ao seu. Gelou de pavor. Olhou para os lados e não havia um desvio em que pudesse se meter e deixar os vultos passar. Olhou para trás e nenhum sinal de qualquer veiculo que pudesse lhe tirar daquela situação. Via os vultos cada vez mais próximos e cada um tomando parte da estrada. Sentiu que o pior aconteceria. Não tinha como se defender, ainda mais estando extenuado pela longa caminhada. Precisava pensar e pensar logo em algo que o tornasse temido. Recolocou o paletó.

            Apalpou os bolsos enquanto se aprumava em busca de algo que pudesse usar como arma de defesa, entretanto, a única coisa que tinha naquele momento era sua inestimável caneta de prata que Tomiko havia lhe ofertado a poucas semanas, numa tentativa de vê-lo mais feliz. Esperava que os homens a confundisse com uma pequena faca.

            o nervosismo fez com que o suor de seu rosto gelasse e conforme andava pisava com força, buscando dentro de si todas as energias possível para enfrentar o que poderia estar por vir. A poucos metros pode distinguir com mais clareza a fisionomia dos três homens. Um era mais velho, os outros dois mais jovens com pouca diferença de idade entre eles. Poderiam ser pai e filhos. Mas o que estariam fazendo naquela estrada aquela hora? “não crie falsas esperanças Koike” disse a si mesmo enquanto tentava deixar a ponta da caneta prateada a mostra. A poucos metros koike disse com voz firme e impositiva:

- Ei, vocês! Sabem se nessa estrada existe algum posto de gasolina?

            Os homens diminuíram o passo e se olharam. O mais velho continuou andando, um pouco mais devagar enquanto os outros dois quase que pararam.

- O que houve, ficou sem gasolina?

            Koike viu naquela pergunta um mal sinal.  

- Sim, acabei me perdendo e fiquei sem gasolina e pelo visto por aqui não passam carros depois de certa hora. Sabe de algum posto ou local que possa fazer uma ligação?

            Aproveitou para limpar da testa o suor com o braço em que segurava escondida a caneta. Precisava mostrar que tinha uma arma, criar a dúvida se era um homem perigoso. Os outros dois rapazes se aproximaram, ficando cada um cobrindo uma parte da estrada, indicando que Koike não poderia passar.

- Não há posto próximo. Você terá que andar muito até chegar a via principal.

- Não tenho problemas com distancias. Já marchei muito.

            Abriu um largo sorriso e concluiu:

- Treinamento militar nos dá disposição. E vocês para onde vão?

            O homem também sorriu e olhou para cada um dois rapazes mais atrás.

- Lugar algum.

            Koike então pensou rápido. O mais velho não seria tão difícil de derrubar, mas os dois rapazes poderiam pega-lo com mais facilidade. Tentou avaliar qual seria o mais forte para que pudesse com um golpe derruba-lo e fugir, entrando pelo matagal que parecia ser mais alto um pouco mais á frente .

- Por aqui não se vai a lugar algum moço.

- Pelo jeito não mesmo. Meu carro esta a dois ou três quilômetros daqui, ao passarem por ele saibam então que não foi abandonado.

            Koike fez uma ligeira reverencia e a avançou firme em direção ao homem quando escutou um dos rapazes falar:

- O senhor esqueceu de falar sobre o pedágio que cobramos para quem fica sem gasolina.

            Koike nesse momento derrubou o homem e avançou agitando a caneta de forma a abrir seu caminho entre os dois rapazes que se esquivaram enquanto koike saia correndo pela estrada. Instintivamente todas as suas forças renasceram, mas logo começou a ouvir os passos dos rapazes que em pouco tempo o alcançaria.

            Desesperado, Koike tentava ver aonde o mato era mais alto para que pudesse embrenhar-se por ele e ter uma chance de escapar. Entretanto um dos rapazes o alcançou e desequilibrou-o fazendo com que caísse. Sentiu um chute atingindo-o em suas costelas e a caneta prateada soltou de sua mão. Koike ficou caído, procurando reagrupar suas forças enquanto os rapazes recuperavam o folego. De certo esperariam o outro homem para saber o que fazer.

            Koike respirava com dificuldade e ouvia os rapazes insutando-o. Um deles ria. A adrenalina o fazia sentir-se feliz. Ouviu-o falar que não era uma arma, somente uma caneta. Koike apertou os olhos com raiva e tentou levantar-se mas recebeu outro chute  que dessa vez pegou-lhe no peito.

            Sentiu o rosto ardendo, a terra em seus olhos, em seus cabelos, a falta de saliva, dificultando o ar que sugava pela boca. Depois foi erguido com violência pelos rapazes enquanto o homem mais velho lhe dava socos no estomago e o insultava.

            A cada golpe Koike sentia que não conseguiria resistir por muito tempo e acabaria desmaiando. Talvez quando acordasse tudo estivesse terminado e estaria abandonado naquele lugar deserto. Teria sorte se não o matassem.

            Pensou em Tomiko. O que seria dela se algo lhe acontecesse? Quem cuidaria dela? O que faria para sobreviver? Queria buscar forças para reagir, entretanto, cada vez mais seus sentidos pareciam falhar. Por um momento sentiu que o homem havia parado de bater e que o arrastavam para algum lugar. Pensou ouvir muito longe uma espécie de motor que gradativamente aumentava. Seu corpo desabou pesadamente no chão e por instantes sentiu um enorme alivio. O barulho do motor cresceu e ele pode reconhecer que era uma motocicleta que se aproximava. Uma nova vitima para aqueles bandidos de beira de estrada. Lamentou não ter forças para avisar que aquilo era uma emboscada.  

            Alguns segundos de silêncio e depois movimentos de luta, de pessoas caindo. Gritos. Passos de quem foge. Reuniu todas as forças que lhe restavam e num último esforço antes de desmaiar, viu surpreso uma pessoa, toda de negro ao seu lado, tendo nas mãos uma antiga espada de samurai.

 

 (Fim da 61ª parte – continua)
®

Direitos de reprodução reservados

 

           

 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sexo virtual (contos)



            Correspondiam-se a tempos numa daquelas salas de bate-papo pela internet até que um dia ele a convidou para passar o fim de semana com ele.
            De inicio sentiu-se apreensiva, afinal, mesmo depois de tanto tempo ele continuava sendo um estranho.  Mas ele, tão sedutor, tão charmoso, acabou por convencê-la.  As despesas ficariam por sua conta. Da passagem a hospedagem, incluindo refeições e tudo que precisasse.
             Ela protestou, embora não tivesse condições de bancar por conta própria tal empreitada, mas novamente cedeu, aceitando apenas a passagem e a hospedagem.
              Tudo acertado embarcou feliz, comentando com as amigas sobre sua aventura e informando que manteria contato diário ao menos três vezes por dia, sendo a última quando estivesse no hotel.
         Meia hora já havia se passado e ela continuava aguardando que ele viesse busca-la no aeroporto. Andava de um lado a outro com a pequena mala nas mãos olhando as coisas, as pessoas e a insegurança e o medo já começam a crescer dentro dela quando um senhor de terno negro aproximou-se e perguntou se ela estava esperando o doutor Alberto.
                Pega de surpresa e meia sem ação confirmou que sim. O senhor então se identificou como  motorista dele e se ofereceu para carregar a mala. No caminho até o carro ele comunicou que o doutor Alberto teve que se ausentar do país de modo urgente e como combinado não poderia passar o final de semana com ela. Entretanto, incumbiu-o a ficar a disposição dela o tempo em que permanecesse no Rio.
                No caminho para o hotel foi mostrando os pontos por onde passavam, fazendo rápidas intervenções sobre a história de cada um.
                Ela imaginava que o homem já devia ter feito isso inúmeras vezes e que ela seria apenas mais uma que se encantara com o doutor Alberto, o “Betinho” como se apresentava na sala de bate-papo.  O que não esperava é que o próprio tivesse outro compromisso e a deixasse passar o final de semana sozinha, ou melhor, com seu motorista, que afinal, era educado, gentil e simpático.
             O hotel era magnífico. Do apartamento via-se quase toda a orla. Só aquela vista deslumbrante já valeria a viagem. Seu Raul, o motorista, deixou com ela um celular com seu número reafirmando o compromisso de estar a disposição dela o tempo que fosse preciso e com a instrução expressa do doutor Alberto de pagar todas as despesas.  
                Ela dispensou-o alegando que estava cansada, marcando para apanhá-la somente no final da tarde. Depois ligou para as amigas e contou o ocorrido.
              “Descansar nada sua boba”, disseram elas, “aproveite e vá a praia, divirta-se, afinal você esta no Rio de Janeiro”.
           Quando seus pés tocaram a água fresca do mar, seu corpo arrepiou-se completamente. Conteve a euforia e procurou comportar-se como se estar ali fosse a coisa mais natural do mundo. Olhou os rapazes jogando futebol, jogando frescobol, as moças com seus biquínis minúsculos, os corpos bronzeados, atraentes. Até se esquecera do “doutor” Alberto que a essa hora estava em Londres numa enfadonha reunião de negócios.
           Saiu da água e sentiu o calor do sol aquecendo sua pele branca, quase virgem de sol. Sentou-se na areia e apreciou tudo que se desenrolava a sua volta. Os seios endurecidos pela água gelada despertava-lhe a vontade de se dar, de compartilhar a alegria que sentia. Imaginou Betinho ali com ela repetindo em seu ouvido  aquelas coisas que escrevia na sala de bate-papo e seu desejo aumentou. Via os rapazes passando por ela, o volume brotando nas sungas e desejou que um deles, qualquer um se aproximasse, puxasse conversa. Betinho não precisaria saber.
       No apartamento, deliciou-se com o banho de espuma. Deslizava a mão por seu corpo ligeiramente bronzeado e de olhos fechados imaginava um daqueles rapazes morenos lhe tocando o sexo com a ponta da língua. Delirava de prazer. Gemia. Contorcia-se. Seus dedos se perdiam dentro de si.
          Jantou no próprio hotel e mais tarde seu Raul veio pega-la para mostrar-lhe a cidade, a vida noturna. Rodaram e rodaram e rodaram. Ela perguntava tudo e seu Raul respondia com precisão. Ela perguntou se poderiam ir a Lapa, tinha ouvido falar que era um lugar animado. Seu Raul explicou-lhe a história do bairro e ela ficou encantada. Quis saber como ele conhecia tanta coisa, sabia de quase tudo. Ele riu e completou com um “nasci e cresci nessa cidade, são cinquenta anos de amor por ela”.
           Na Lapa, ela sambou, bebeu cerveja, divertiu-se a valer, sempre observada pelo motorista. Voltaram para o hotel quando já amanhecia.
                Antes de sair do carro, pediu desculpas por tê-lo feito ficar com ela até aquela hora. Mas ele disse um “tudo bem” tão tranquilo que a acalmou. Perguntou se ela não gostaria de caminhar um pouco pela praia e ver o nascer do sol.
            Estavam sentados lado a lado vendo os primeiros raios do sol surgindo lá do fim do horizonte, como se brotasse do próprio mar.
 “A senhorita esta feliz?” Indagou seu Raul olhando-a parcialmente.
Ela continuou com o queixo entre as pernas, o vestido branco deixando parte das coxas a amostra. “Sim, estou. Por um momento gostaria que isso fosse para sempre.” Respondeu enquanto o brilho laranja do sol despontava iluminando seu rosto. “E o senhor?”
Seu Raul abriu um sorriso e não falou nada. Ela agradeceu por tudo que havia feito, sua dedicação e paciência. Depois  beijou-lhe no rosto.  Seu Raul quis abraça-la, porém conteve-se.
No domingo, final de tarde ela pegou o avião com destino a Salvador. Seu Raul ficou vendo o avião subir, perder-se no escuro da noite que se fechava sobre a cidade.
Segunda-feira, mal acordou correu para o computador. Betinho já estava lá, esperando-a com mil pedidos de desculpas por tê-la deixado sozinha. Ela falou de tudo que fez, dos lugares lindos, etc etc e tal. Coisas que para ele eram tão banais.  Algum tempo depois ele informou que precisava sair pois tinha outra reunião importante e que a noite conversariam melhor. Despediram-se.
Seu Raul desligou o computador. Estava feliz. Olhou seu modesto apartamento, um quarto e sala encravado numa rua qualquer do subúrbio. O comprovante do saque de sua poupança sobre a mesa. Levantou-se, pegou o terno negro embalado no saco transparente com o logo da loja de aluguel de roupas e a chave do carro alugado que precisava devolver antes do meio-dia.
(Sexo Virtual – Ivo Linhares)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Sexo virtual (contos)



O exercício de minha imaginação é criar o sentimento em tuas curvas nesse monitor, modelando com minha língua o delicado contorno de teus bondosos seios enquanto me dizem: sonhe, quando acordar saberá que foi verdade. Entre tuas pernas, como arca salvadora, buscarei abrigo para compor o som da argila sendo manipulada pelo mouse, criando vida como versos de uma poesia que sai do teu ventre a dizer que somos erros, elos da frágil e mesquinha inteligência do corpo, do prazer, do gozo. Filhos do delito em um território virtual que nós faz mais desumanos, mais hipócritas e infames. Ah, não quero tua pele e teus sentidos porque o tempo os levará e me deixará apenas uma fotografia salva na memoria do computador. Lembranças de um dia que talvez nunca tenha existido além de dentro de mim e que não consigo achar em arquivo algum.
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sexo Virtual (contos)



Lembrou-se da palavra e quis rir. Controlou-se.  Intumescência.  A primeira vez que tomou conhecimento dela foi através do manual de sexo, edição publicada em 1946, que seu pai dera a sua mãe quando estavam noivos. Olhou novamente para a mulher deitada na cama, as pernas abertas e fixou o olhar no clitóris rosado, intumescido.
Quis sorrir novamente. O corpo da mulher deitado sobre o remexido lençol de cetim azul parecia uma ilha cujo ponto culminante era aquele pequeno apêndice que pedia para ser explorado, conquistado.
Ela o olhava com o desejo nos olhos, aguardando que, como o explorador Francisco Pizarro, que por ironia foi o conquistador do Peru, com a sede dos conquistadores a devastasse. Mas ele, naquele momento de calmaria, pensava nela mais como Cabral, tentando descobrir o caminho para as Índias.
A palavra ainda boiava em sua cabeça, como todos os corpos dos mortos no naufrágio do Titanic. Via o clitóris intumescido, rosa como um bom rose que poderiam estar saboreando depois das loucuras que haviam praticado sem entender a própria perplexidade.
Olhava o corpo pairando no lençol azul como os astronautas da Apolo 13 devem ter visto a Terra durante os seis dias que ficaram presos no espaço. Queria ter também a mesma esperança de sobreviver em meio aquele caos em que se metera. A ilusão da calmaria no espaço não era a mesma presenciada por Cabral tão pouco a que via entre as pernas da mulher a sua frente cuja vagina deixava escorrer um líquido transparente e brilhoso.
Diante do intumescido clitóris, sentiu-se pequeno. Todo seu pretenso conhecimento não representava absolutamente nada diante daquilo que nunca pensou existir. Seu próprio pau perdera a importância se comparado com a peça saliente, exposta, como que comprovando o elo perdido das teorias freudianas sobre a castração feminina.
Olhou para o ventre que subia e descia ritmado como o refluxo da onda que volta mansa para o mar querendo ser empurrada novamente para a areia e sentir nesse atrito a espuma se formando. Ele queria estar ali com a mulher refazendo tudo que já haviam feito. O beijo sugado, o suor do corpo de um no outro, os dedos entrelaçados como elos de uma corrente aquecida ao fogo e os sexos invadidos, úmidos, em chamas, até que os sentidos perdessem o sentido e nada mais soubessem ou conhecessem. Somente depois, o segundo, o minuto, e a vida voltando do outro lado, de um corpo para o outro, fazendo-os entender que ainda estavam vivos.  
A mulher apertava os dedos no lençol azul, como leoa no cio afiando as unhas. O clitóris, como um terceiro olho, aquele do mitológico deus Horus, que tudo via, olhava-o implacável, aguardando para revelar a ele tudo que seu corpo precisaria fazer para achar o tesouro escondido naquela pirâmide de carne.
 Via no rosto da mulher, nos lábios que já se mordiam o desespero do desejo não saciado e pondo fim aquela agonia, aquele desejo de gozo, aproximou-se e ajeitando sua cabeça entre as pernas dela deixou que sua língua  guiasse seus instintos para enfim, acalmar seu também caos interior.
(Sexo Virtual – Ivo Linhares)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sexo Virtual (contos)

Um pouquinho depois de entrar no facebook ele recebe a mensagem de iniciar a conversa por vídeo. Ele sorri. Ela não aparecia no face há algum tempo. Ficou apertando o pau com satisfação. Estava com saudade de toda aquela sacanagem que faziam durante a madrugada. Solta uma gargalhada lembrando a última vez, quando gozou tão próximo da webcam que sua porra espirrou na lente e deu o maior trabalho para limpar. 
- Queria te amar, porém, amar é uma palavra que desconheço, e mesmo que conhecesse não saberia como usar. 
Ela aparece com o rosto estampado na tela, cabelo desgrenhado, olheiras profundas. Quase catatônica.
Ele não entende nada e pede para que ela posicione a câmera para ver se esta nua.
Ela pega a câmera de qualquer jeito, a imagem some, quando volta esta balançando e não é possível vê-la direito enquanto fala.
- Queria te amar, sentir tua falta, te desejar, trepar com você sabendo que te amo, que depois íamos ser pessoas comuns. Jantar juntos, ver tv, falar merdas um para o outro. Eu odeio toda essa merda! Odeio essa merda toda!
Ele não entende nada. Fala para ela parar de mexer com a câmera.
Ela deixa a câmera cair sobre a mesa e sua imagem fica de lado. Esta vestida com uma camiseta curtinha, quase deixando seus seios aparecerem.
Ele pede que arrume a câmera, fala para ela levantar a blusa, que mostre os peitinhos redondos e pequenos que ele tanto gosta.
- Eu não precisava te amar muito. Amaria só até nossos filhos nascerem, depois, foda-se o resto, foda-se o amor, foda-se as fodas que não daríamos por causa deles. Mas eu queria te amar. Queria saber te amar.
Ele continuava apertando o pau, já fora da cueca, subindo e descendo a mão, devagar, esperando por todos aqueles momentos que já conhecia, que conseguiam fazer juntos.
- Levanta a blusa – pedia ele – Deixa ver teus peitinhos duros, quero passar a língua neles, deixa-los bem molhadinhos, senti-los crescer, chupa-los como se fossem figos maduros. 
Viu-a beber o vinho pela garrafa, o liquido escorrer pelo canto da boca.
- Eu quero que tudo se foda! Já que não consigo amar quero que tudo se foda!
Ele ri.
- Porra, você esta bêbada garota! Adoro comer mulher bêbada! Hoje você vai gozar muito menina! Vou te levar para ver as estrelas.
- Que se fodam as estrelas! Que vão para a casa do caralho as estrelas, a lua, o sol, o universo inteiro.
Ele ri.
- Muito doida! Muito doida! Ah se eu estivesse ai com você agora!
- É tarde agora... muito tarde.
Enche a mão com alguns comprimidos e leva-os a boca, depois bebe o vinho.
- Não quero mais saber dessa porra! Chega! Acabou! Eu não sei amar. Nunca soube, sou uma filha da puta muito burra para conseguir essa proeza de amar alguém. Mas agora estou indo. Vou encontrar aquela parte que sempre me disse o que fazer quando esse dia chegasse.
Ele ri.
- Ajeita a cam e me mostra sua bocetinha lisa! Ainda esta carequinha? Mostra ai, vai?
- Não quero ser mais uma fodida nesse mundo. Eu queria te amar, só isso. Queria sentir meu gozo com amor e não só pelo tesão. Queria que minha alma estivesse presente quando trepei com todos aqueles caras, com aquelas mulheres... eu sou uma mulher vazia, não sei sentir nada.
Ela rasga a pequena blusa e seus seios pequenos, delicados, sensíveis, estão eretos. Os bicos pontiagudos o deixam louco.
- Nossa, você hoje esta demais! Aperta o biquinho do peitinho, vai, passa a ponta do dedo neles, passa, vai, passa.
Ele, excitadíssimo masturba-se freneticamente.
A cabeça dela começa a querer cair, ora para um lado, ora para o outro. Fala coisas estranhas, a língua se atrapalhando com as palavras, enrolando-se na boca. Os olhos vão se fechando devagar e o corpo balança como um pêndulo.
- Bota a câmera perto da sua boceta, deixa eu ver sua boceta raspadinha deixa! 
Ele implora, enquanto aumenta com desespero os movimentos no pau. Ela vai caindo de lado, em câmera lenta até sumir.
- Amor, cadê você? Aparece ai, vai, mostra sua bocetinha gostosa! Amor? Cadê você? Amor?
Passam-se alguns minutos e nada muda. Ele continua a chamar pela mulher que não aparece. O pau perdendo a força ainda que ele o continue friccionando. 
- Filha da puta! Eu tava quase gozando. Filha da puta...