O exercício de minha imaginação é criar o sentimento em tuas
curvas nesse monitor, modelando com minha língua o delicado contorno de teus
bondosos seios enquanto me dizem: sonhe, quando acordar saberá que foi verdade.
Entre tuas pernas, como arca salvadora, buscarei abrigo para compor o som da
argila sendo manipulada pelo mouse, criando vida como versos de uma poesia que sai
do teu ventre a dizer que somos erros, elos da frágil e mesquinha inteligência
do corpo, do prazer, do gozo. Filhos do delito em um território virtual que nós
faz mais desumanos, mais hipócritas e infames. Ah, não quero tua pele e teus
sentidos porque o tempo os levará e me deixará apenas uma fotografia salva na
memoria do computador. Lembranças de um dia que talvez nunca tenha existido
além de dentro de mim e que não consigo achar em arquivo algum.
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