quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Sexo Virtual (contos)



A cabeça caiu no cesto e a multidão em uníssono urrou de alegria.

O corpo do rei Luis XVI, que ainda se estremecia em convulsões, foi retirado do cadasfalso.

Ela despertou do transe e a imagem do rei decapitado evaporou-se de sua mente. Sentiu depois que parte do pênis do homem em convulsão, havia entrado em sua vagina, devido a violência do golpe ou a pressão do sangue que o fizera ter uma ereção. O sangue dele escorria por seus seios e ela ainda continuava segurando com força o facão. A decapitação foi precisa e por pouco a cabeça do homem não havia caído ao chão.

A mulher deixou o corpo descer sobre o homem e o pênis se alojou em sua vagina com facilidade. Ainda pulsava, continuava enrijecido. Ela se ergueu devagar e sentiu o órgão sair um pouco. Todo seu corpo se arrepiou e ela voltou a sentar-se. Olhou a cabeça, caída de lado, os olhos semifechados, a boca pequena um pouco contorcida. Então, sem pensar, guiada pela adrenalina, começou a movimentar-se sobre o corpo, devagar, num movimento idêntico aqueles feitos pelas crianças nos cavalinhos em parques de diversões.

E novamente sua memória voltou no tempo, agora mais recente, e a cada volta do carrossel via a imagem do pai sorrindo, o algodão doce muito branco na mão esquerda enquanto acenava-lhe com a direita.

A cada passada do carrossel procurava empinar o cavalinho e sentia uma sensação gostosa entre suas pernas e via seu pai sorrindo, e desejava comer o algodão doce tão branquinho que o pai segurava.

Desperta do gozo abraçada ao corpo decapitado, o sangue cobrindo-lhe o corpo, o sexo.

Cuidadosamente deita o corpo sem cabeça na mesa e com esforço sai de cima dele. Do pênis, ainda duro, brotam algumas gotas de sangue.

Instintivamente pega no pote sobre uma bancada um pouco de algodão e limpa o sangue do pênis e o olha fixamente.

O passado, como espuma trazida pelas ondas a leva até aquele dia em que também de seu sexo saiu sangue, que seu pai limpou com cuidado e carinho com um algodão tão branco quanto aquele do parque.

Em sua casa, depois de tomar um banho demorado, recapitulou todos os passos antes de sair da casa do homem para ter certeza de que havia apagado todos os vestígios de sua estada por lá.

Ainda enrolada na toalha foi a cozinha e preparou um copo de leite quente. Passou pela sala e pegou a sacola com as únicas coisas que retirara de seu falecido cliente.

Em seu quarto, confortavelmente recostada sobre as almofadas sobre a cama abriu a sacola e retirou o laptop que ele deve ter usado para contratá-la e o pote de vidro com o pênis, ainda expelindo gotas de sangue.

De certa forma, aquilo lhe trazia boas recordações de sua infância.


(Sexo virtual – Ivo Linhares)      

Nenhum comentário:

Postar um comentário