Koike sentiu, entrando por seu nariz um ar fresco, revigorante, logo depois a insuportável dor no corpo. Tinha acontecido, não fora sonho, ou melhor, era de fato um pesadelo. Quando abriu os olhos levou um grande susto: Midori Hirata estava ao seu lado. Levou algum tempo para entender o que acontecera.
- Foi você quem me salvou? - disse Koike com alguma dificuldade enquanto tentava se sentar.
- Sim. O velho me ligou avisando que talvez você não tivesse condução para voltar. Tem mesmo certeza de que quer continuar, que quer entrar para o grupo?
- Depois disso acho que posso me considerar dentro não acha?
Midori esboçou um sorriso e ajudou-o a se erguer. Com muito esforço ele conseguiu subir na motocicleta e ela o levou para um hospital, embora ele relutasse em ir. Sentia apenas vontade de se deitar e dormir uma semana.
Para Tomiko, mentiram dizendo que Koike havia caido da motocicleta. Os exames no hospital não indicaram nenhuma lesão ou algo de maior gravidade. Receitaram apenas um analgesico, caso viesse a sentir dores mais fortes.
Midori ainda sentia uma grande atração por Tomiko, porém procurou não demonstrar qualquer sentimento. Sabia que seria inútil tentar convencer a garota a ceder, além do mais, já havia experimentado o que era ter um corpo juvenil em seus braços.
No caminho para sua casa, pensava no quanto havia sido interessante lutar com aqueles idiotas na beira da estrada. A expressão de medo no olhar deles depois que pararam de rir quando ela sacou a espada e num golpe rápido cortou o braço de um deles. O grito de pavor, o desespero vendo o sangue descer pelo braço, a fuga alucinada, tropeçando uns nos outros. Viu-os correr até sumirem pela estrada e não pode deixar de sentir no próprio corpo a adrenalina alimentando seus sentidos. Pensou em pegar a motocicleta e ir atrás deles para atiçar-lhe o medo. Mas Koike continuava desmaiado e o melhor seria cuidar dele.
A espada em suas costas a fazia sentir um relativo prazer. Precisava encontrar alguém para despejar todo o sentimento que brotava em sua boca, que obrigava seu corpo a desejar sentir dor.
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