ANDROIDE (2ª PARTE)
Elina Makarova de vez
em quando vinha ao Brasil por causa do carnaval.
Esteve na Bahia,
Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Dois anos após nos conhecermos ela
veio ao Rio de Janeiro. Já havia acertado tudo para desfilar.
Peguei-a no aeroporto.
Ninguém diria que não era uma mulher. A dúvida ficava quanto a voz.
A pele muito branca, o
cabelo negro, o andar macio com um pouco de ginga e sua altura chamavam a
atenção de todos os homens. Ela parecia se divertir com os olhares acintosos ou
discretos. Até de algumas mulheres. Abraçou-me com afeto e depois me deu beijos
no rosto. Usava um perfume delicado, um aroma suave e instigante. Usava a cada
dia um perfume diferente.
Entramos no carro e fui
indo devagar. Era a primeira vez que vinha ao Rio e com discrição olhava tudo
enquanto eu explicava como era nossa cidade.
Elina falava um
espanhol fluente e tentava também se expressar em português. Dizia que era
inadmissível visitar um país sem ao menos estudar um pouco seus hábitos e
língua.
Lembrei-me da primeira
noite em que dormimos juntos. De madrugada acordei com ela abraçada de
conchinha em mim. O pau encostando em minha bunda.
Ela se hospedou num
hotel em Ipanema.
Novamente sua silhueta
esguia chamava a atenção.
Subimos. O rapaz que
disputou com os outros a tarefa de carregar a mala não conseguia disfarçar os
olhares para o decote não tão grande, mas que destacavam os seios médios de
Elina. Dei-lhe uma gorjeta seguida de uma piscadela com o olho direito que nem
eu entendi o que significava.
Ficamos a sós e
imediatamente, mas com calma exemplar, tirou o vestido e depois o sutiã. Por
fim, a calcinha com uma elegância sedutora.
Era estranho olhar.
Seria uma mulher com membro ou um homem com seios?
Ficamos nos olhando por
alguns minutos.
Estranho, - disse por
fim enquanto jogava para trás da orelha um pouco de cabelo - Você é o único
homem que me olha como mulher. Porém não me deseja nem como uma coisa ou outra.
Gosto disso. Você me excita.
Disse a última frase em
russo.
Percebi que seu pau se
intumescera um pouco.
Continuamos nos
olhando.
Se tivesse uma vagina
adoraria sentir sua língua nela. Disse ainda em russo.
Vagina ou pênis, o que
importa quando o que existe entre as pessoas é desejo ou amor. Respondi também
em russo.
Ela riu. Riu alto
jogando a cabeça para trás com graça, estilo.
Já me pediram para
operar, mudar de sexo. Mas nunca serei mesmo uma mulher, então não preciso
passar por isso. Nasci assim com algum proposito que desconheço, mas se não
tenho vagina é porque não devo ter. - Respondeu
em espanhol.
Estranho mesmo são os
homens que se aproximam de você por causa de seu pênis.
Como você?
Estava em dúvidas sobre
quem era. Não tive pretensões de te levar para a cama. Apenas aconteceu. Não
sou o tipo que tem taras.
Eu já sabia. Seu
comportamento mostrou isso.
Aproximou-se devagar, o
corpo exalando o perfume do dia.
Adorei ser possuída por
você. Tratou-me como uma mulher.
Beijou-me o rosto e deu
um passo para trás.
Seu pau agora estava
completamente duro.
(A orgia dos cães / IVO
LINHARES)
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