sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A CANCERIANA

Chamava-se Alberta. Embora não gostasse de seu nome nunca demonstrou a família seu desagrado por terem escolhido um nome tão estranho para uma menina. Entretanto, apresentava-se como Beta em homenagem a estrela de seu signo.
Estava ansiosa. Andava de um lado a outro no saguão do aeroporto. A cada minuto olhava para o portão de desembarque, o coração descompassado. Seria o primeiro encontro real entre eles, uma vez que só se comunicavam pelo facebook.
A medida que os passageiros saiam pelo portão sua expectativa aumentava. Suava frio apertando as mãos enquanto esticava o pescoço tentando vê-lo.
* * *
Beijavam-se em desespero. As línguas num duelo de agilidade enquanto se espremiam no cubículo do banheiro feminino para onde ela o havia arrastado num impulso mais forte do que a razão.
Encostou-o a porta e puxou o membro pela braguilha. Curvou-se demonstrando sua flexibilidade e começou a chupar a cabeça pulsante do pau rosado enquanto ele puxava-lhe devagar o vestido até aparecer sua minúscula calcinha. Na medida em que intensificava a sucção no membro ele retribuía apertando-lhe as nádegas firmes.
Puxou-a e depois de outro longo beijo a deitou de costas na tampa do sanitário e com apenas uma das mãos puxou-lhe a calcinha que levou ao nariz aspirando ruidosamente o aroma. E num gesto típico da insanidade criativa dos aquarianos saboreou com a ponta da língua o muco que estava nela. Depois se abaixou lentamente, olhando-a nos olhos. Sua língua entrou na vagina aberta e molhada e rodopiou em suas entranhas com uma fantástica habilidade. Os olhos dela se reviram enquanto tentava não gemer tão alto. O que naquela altura já era impossível. Já se formava na porta do reservado uma pequena multidão de mulheres, curiosas e excitadas.
Quando o pau entrou ela sentiu o corpo tremer. A sua volta nada mais existia. Via o rosto dele, os olhos cor de mel combinando com o vermelho de seu batom espalhado em seu rosto de lábios grossos, sedutores, com a calcinha entre os dentes.
Lá fora, duas mulheres se beijavam. Algumas queriam sair, mas pareciam petrificadas. Outras enfiavam as mãos por dentro das calças, pelos vestidos, tocando-se, apalpando-se.
Ele introduzia devagar o pau roliço e ela comprimia a vagina como se quisesse impedi-lo de sair. Tudo durou mais ou menos quarenta minutos.
Cautelosos, abriram a porta do reservado.
Saíram de mãos dadas do banheiro feminino. Cada um com um sorriso cínico de satisfação no rosto, como se nada demais houvesse acontecido.

(Sexo Virtual / Ivo Linhares)
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