sábado, 15 de fevereiro de 2014

PRIMEIRA VEZ

Nunca aceitou seu poder. Odiava viver recebendo mensagens que não entendia, que não lhe pertencia, que não sabia o que fazer com elas.
Um dia entretanto, antes de descer do bonde viu-se com um homem. Ele jovem, depois mais velho. Faziam amor. E o que sentia não era um desejo de sexo, mas havia um profundo amor entre eles. Horrorizou-se com a visão e desceu quase sem esperar o bonde parar.
Chegou ao trabalho estranha. As outras notaram, porém nada comentaram. Entre elas não havia intimidades. Cada uma vivia uma relação profissional, como em qualquer trabalho.
A noite foi chegando e com elas os fregueses. Habituais, esporádicos, assíduos, uns que só vinham para olhar, os doentes, os tímidos que ali se revelavam, os velhos que ainda não sabiam que já não tinham mais idade para fazer aquilo, os enigmáticos, os exibicionistas, os falsos puritanos, os pobres, os ricos.
Quando eles entraram ela se assustou. Caminharam direto até ela. O homem lembrava o mesmo homem da visão. 
Era um senhor de aparência distinta. A bengala com o cabo de marfim mal parecia tocar o chão enquanto andava. O bigode largo e bem aparado tentava esconder um ar sério, porém seus olhos brilhavam mostrando todo o encantamento e desejo que trazia no corpo. Fez um sinal com a cabeça e o jovem que o acompanhava parou enquanto ele caminhava até ela.
Olharam-se bem dentro dos olhos e ele com poucas palavras e sem rodeios explicou que o rapazola era seu filho e que sua mulher o aconselhara a levar o rapaz ali pois a empregada havia encontrado na cama  sinais de que ele precisava descarregar sua energia de homem.
Ela olhou o rapazola que abaixou os olhos. Era apenas mais um cliente e não carecia tanta explicação. Disse o preço.
O distinto senhor, abriu a carteira e ofereceu três vezes mais, contanto que pudesse subir para orientar o rapaz e mostrar-lhe como se fazia. 
Não era do feitio dela aceitar tal proposta, mas o dinheiro, afinal era seu objetivo e não estava disposta a vestir a fantasia de falsos pudores.
Subiram.

* * *
Enquanto a penetrava o distinto senhor tentava explicar ao envergonhado rapaz o que estava fazendo.
Ela olhava para o rapaz e podia ver sob as calças o volume.
Sentiu uma sensação estranha. Lembrou-se da visão no bonde.
O senhor a penetrava com fúria.
O rapaz a olhava talvez com desejo, talvez com medo, talvez sem entender direito o que estava acontecendo. 
Ela percebeu que o homem estava prestes a gozar e contribuiu contraindo a musculatura da vagina. Sorriu para o rapaz e estendeu-lhe a mão. Ele se aproximou vacilante, como se estivesse aprendendo a dar os primeiros passos. O homem havia se calado e arfava enquanto dava violentas estocadas dentro da vagina dela. Sem jeito, o rapaz parou e ela o chamou com a voz baixa, num tom quase maternal. Com apenas um passo dele ela pode, ainda que sendo sacudida pelas violentas penetrações do homem soltar o cinto e abaixar as calças do rapaz.
Seu coração pulsou mais forte e enquanto o distinto senhor gozava ela tocou no eretíssimo membro do tímido rapaz.
E como na visão sentiu a alma sendo inundada de amor.



IVO LINHARES
Direitos Reservados 


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