quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Elina Makarova

Sou um policial excêntrico.
Papai era general e fez fortuna durante a ditadura militar.
Tenho um puma GTE vermelho ano 85. Tenho também uma motocicleta Harley Davidson.
Comprei tudo com o meu dinheiro.
Antes de morrer papai passou a coleção de armas dele para meu nome.
Fiz faculdade. Falo inglês, alemão, russo e japonês.
Nas férias viajo para o exterior.
Há três anos conheci uma transexual russa que me ensinou a beber vodca.
Toda vez que vou a Europa me encontro com ela.
É alta, um e oitenta e seis. Cabelos negros até as costas. Usa lentes de contato verdes. Seios médios. Culta. Fala vários idiomas. Inteligente. Trabalhou para a extinta KGB, a polícia secreta russa. Devia ser informante. Quando a União Soviética acabou ela assumiu de vez o personagem e passou a viver como Elina Makarova. Tem passaporte e identidade feminina. Mas é transexual.
Quando fui para a cama com ela não tinha certeza do que realmente era.
Aconteceu.
Elina foi meiga e dócil. Quase frágil. Despiu-se com passos de balé. Os cabelos negros presos numa longa trança indo de um lado a outro em cada movimento.
Ensinou-me como fazer.
Colocar aos poucos e deixar.
Eu dava pequenos puxões em sua trança, como se fosse rédeas e ela entrava um pouco mais. Em alguns momentos abaixava a cabeça e gemia.
Sussurrava obscenidades.
Rebolava e empinava a bunda fazendo pressão.
Uma das minhas mãos acariciava seu corpo.
Intercalava os gemidos com a respiração ofegante.
Impressionei-me com sua habilidade e destreza quando sua perna direita se esticou para o lado e enquanto seu corpo girava a perna subia passando próxima ao meu rosto.
Ela estava deitada agora de costas na cama e via seu pau duro e rosa me olhando.
Nunca havia segurado um pau que não fosse o meu.
Segurei porque ela disse que só gozava quando alguém lhe tocava uma punheta.
Elina gozava como mulher.
Mas não é.
Nem quer ser.
Isso pouco importava.
Disse que a graça era ser como era. Um meio termo.
A vida é feita de detalhes. Em alguns casos podem fazer diferença.
Elina tinha detalhes. Mas não teve importância. Era sedutora, carinhosa. Feminina.
Alma de um no corpo de outro.
Foi com ela que aprendi a beber vodca.

(A orgia dos cães/ IVO LINHARES)

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