terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

VIAJANTES

Fizeram os pedidos e aceitaram a sugestão do vinho.  Chegaram a Portugal de tarde e resolveram jantar no próprio hotel. Era a segunda vez que vinham a Europa e a primeira que visitavam Portugal.
Amigas desde os tempos de escola, Dulce e Ramona planejaram a viagem como uma espécie de despedida de solteiras uma vez que ambas estavam de casamento marcado. Queriam aproveitar ao máximo antes de assumirem um papel tão sério. Os futuros maridos foram obrigados a aceitar, embora não concordassem que viajassem sozinhas.
Não demorou muito e o garçom trouxe uma garrafa de champagne.
“Nós pedimos vinho”, informa Ramona.
“A champagne é cortesia das senhoras daquela mesa”, responde o garçom apontando com discrição.
“Pode levar de volta”, acrescenta Ramona.
“Não”, impede Dulce, “que mal tem aceitar”?
“Dulce, essas mulheres devem ser lésbicas, ou coisa pior”, fala Ramona e dirigindo-se ao garçom pede “pode levar”.
“Não, espera”, intercede Dulce, “elas podem ser lésbicas,  mas aceitar a bebida não quer dizer que estamos concordando em trepar com elas”.
“Dulce, deixa de ser tonta! Aceitar é confirmar que queremos dar para elas” diz novamente Ramona, e olhando para o garçom, ordena: “leva”.
“Não”, insiste Dulce. “Pode deixar a garrafa”.
O garçom se prepara para abrir a garrafa.
“Deixa de ser louca Dulce! Eu não vou transar com mulher nenhuma!”
O garçom serve a bebida. Dulce ergue a taça em direção as mulheres e faz um brinde como agradecimento.
Ramona entra em pânico.
“Não estou te entendo, Dulce. Não sabia que gostava de mulher.”
“E não gosto. Sinto curiosidade. E cá para nós a ruivinha parece ser deliciosa”.
“Não acredito no que estou ouvindo Dulce!”
“Ramona, é uma oportunidade única. Depois voltamos para o Brasil e ninguém jamais saberá que fizemos isso.”
Ramona não parecia disposta a embarcar na proposta de Dulce e continuava resistindo. Entretanto, a amiga foi falando coisas, demonstrando sua excitação diante do que poderia acontecer e, se não convenceu Ramona, ao menos despertou a sua curiosidade para a nova experiência que poderiam viver.
“Não viraremos lésbicas depois de transarmos com elas. Se transarmos. É só curtição. E lembre-se: viemos nos despedir da vida de solteiras, fazer o que nos der na telha.”
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A ruivinha é francesa e se chama Juliette. Estudante de Artes.
A de cabelos castanhos é alemã, faz filosofia e se chama Hildegard.
Todas falam num inglês fluente.
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Dulce, mal a porta do elevador se fecha, cola seu corpo no da ruivinha e trocam um longo beijo de língua. Ramona assustada, espera que a de cabelo castanho tome a iniciativa. Mas nada acontece, apenas se olham e sorriem sem jeito.
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Dulce e a ruivinha continuam se atracando pelo corredor até chegar ao apartamento cuja porta é aberta por Hildergard. Juliete puxa Dulce pelo braço e uma começa a tirar a roupa da outra.
Ramona continua sem graça e não sabe como agir.
“É sua primeira vez?”
Ramona balança afirmativamente a cabeça.
“A minha também”, reponde Hildegard.
Olham as duas deitadas no chão se beijando com volúpia. As mãos de uma no sexo da outra.
“Elas estão gostando”, afirma Ramona.
“É.”
Dulce agora chupa os seios da ruivinha que se contorce de prazer enquanto geme.
“Será que é bom assim?”, insinua Ramona.
“Já fiz com homem e você?”
“Já. Foi bom, gostei. Ele foi delicado, carinhoso. E você?”
“Fiz com homem também. Acho que gostei.”
 “Quer experimentar?”
“Já que estamos aqui podemos tentar, se não gostarmos paramos logo ok?”
Ramona e Juliette se abraçam tímidas, sem jeito, tremendo, o coração batendo quase na garganta.
Minutos depois, de olhos fechados, se beijam delicadamente.
Instantaneamente, na memória afetiva das duas surge a lembrança do primeiro beijo, que como esse também marcará profundamente suas vidas.

(A orgia dos cães / IVO LINHARES)
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