Correspondiam-se
a tempos numa daquelas salas de bate-papo pela internet até que um dia ele a
convidou para passar o fim de semana com ele.
De
inicio sentiu-se apreensiva, afinal, mesmo depois de tanto tempo ele continuava
sendo um estranho. Mas ele, tão sedutor,
tão charmoso, acabou por convencê-la. As
despesas ficariam por sua conta. Da passagem a hospedagem, incluindo refeições
e tudo que precisasse.
Ela
protestou, embora não tivesse condições de bancar por conta própria tal
empreitada, mas novamente cedeu, aceitando apenas a passagem e a hospedagem.
Tudo
acertado embarcou feliz, comentando com as amigas sobre sua aventura e informando
que manteria contato diário ao menos três vezes por dia, sendo a última quando
estivesse no hotel.
Meia
hora já havia se passado e ela continuava aguardando que ele viesse busca-la no
aeroporto. Andava de um lado a outro com a pequena mala nas mãos olhando as
coisas, as pessoas e a insegurança e o medo já começam a crescer dentro dela
quando um senhor de terno negro aproximou-se e perguntou se ela estava
esperando o doutor Alberto.
Pega
de surpresa e meia sem ação confirmou que sim. O senhor então se identificou
como motorista dele e se ofereceu para carregar a mala. No caminho até o
carro ele comunicou que o doutor Alberto teve que se ausentar do país de modo
urgente e como combinado não poderia passar o final de semana com ela.
Entretanto, incumbiu-o a ficar a disposição dela o tempo em que permanecesse no
Rio.
No
caminho para o hotel foi mostrando os pontos por onde passavam, fazendo rápidas
intervenções sobre a história de cada um.
Ela
imaginava que o homem já devia ter feito isso inúmeras vezes e que ela seria
apenas mais uma que se encantara com o doutor Alberto, o “Betinho” como se
apresentava na sala de bate-papo. O que
não esperava é que o próprio tivesse outro compromisso e a deixasse passar o
final de semana sozinha, ou melhor, com seu motorista, que afinal, era educado,
gentil e simpático.
O
hotel era magnífico. Do apartamento via-se quase toda a orla. Só aquela vista
deslumbrante já valeria a viagem. Seu Raul, o motorista, deixou com ela um
celular com seu número reafirmando o compromisso de estar a disposição dela o
tempo que fosse preciso e com a instrução expressa do doutor Alberto de pagar
todas as despesas.
Ela
dispensou-o alegando que estava cansada, marcando para apanhá-la somente no
final da tarde. Depois ligou para as amigas e contou o ocorrido.
“Descansar
nada sua boba”, disseram elas, “aproveite e vá a praia, divirta-se, afinal você
esta no Rio de Janeiro”.
Quando
seus pés tocaram a água fresca do mar, seu corpo arrepiou-se completamente. Conteve
a euforia e procurou comportar-se como se estar ali fosse a coisa mais natural
do mundo. Olhou os rapazes jogando futebol, jogando frescobol, as moças com
seus biquínis minúsculos, os corpos bronzeados, atraentes. Até se esquecera do “doutor”
Alberto que a essa hora estava em Londres numa enfadonha reunião de negócios.
Saiu
da água e sentiu o calor do sol aquecendo sua pele branca, quase virgem de sol.
Sentou-se na areia e apreciou tudo que se desenrolava a sua volta. Os seios
endurecidos pela água gelada despertava-lhe a vontade de se dar, de compartilhar a
alegria que sentia. Imaginou Betinho ali com ela repetindo em seu ouvido aquelas coisas que escrevia na sala de
bate-papo e seu desejo aumentou. Via os rapazes passando por ela, o volume
brotando nas sungas e desejou que um deles, qualquer um se aproximasse, puxasse
conversa. Betinho não precisaria saber.
No
apartamento, deliciou-se com o banho de espuma. Deslizava a mão por seu corpo
ligeiramente bronzeado e de olhos fechados imaginava um daqueles rapazes
morenos lhe tocando o sexo com a ponta da língua. Delirava de prazer. Gemia.
Contorcia-se. Seus dedos se perdiam dentro de si.
Jantou
no próprio hotel e mais tarde seu Raul veio pega-la para mostrar-lhe a cidade,
a vida noturna. Rodaram e rodaram e rodaram. Ela perguntava tudo e seu Raul
respondia com precisão. Ela perguntou se poderiam ir a Lapa, tinha ouvido falar
que era um lugar animado. Seu Raul explicou-lhe a história do bairro e ela
ficou encantada. Quis saber como ele conhecia tanta coisa, sabia de quase tudo.
Ele riu e completou com um “nasci e cresci nessa cidade, são cinquenta anos de
amor por ela”.
Na
Lapa, ela sambou, bebeu cerveja, divertiu-se a valer, sempre observada pelo
motorista. Voltaram para o hotel quando já amanhecia.
Antes
de sair do carro, pediu desculpas por tê-lo feito ficar com ela até aquela
hora. Mas ele disse um “tudo bem” tão tranquilo que a acalmou. Perguntou se
ela não gostaria de caminhar um pouco pela praia e ver o nascer do sol.
Estavam
sentados lado a lado vendo os primeiros raios do sol surgindo lá do fim do horizonte,
como se brotasse do próprio mar.
“A senhorita esta feliz?” Indagou seu Raul
olhando-a parcialmente.
Ela continuou
com o queixo entre as pernas, o vestido branco deixando parte das coxas a
amostra. “Sim, estou. Por um momento gostaria que isso fosse para sempre.”
Respondeu enquanto o brilho laranja do sol despontava iluminando seu rosto. “E
o senhor?”
Seu Raul abriu
um sorriso e não falou nada. Ela agradeceu por tudo que havia feito, sua
dedicação e paciência. Depois beijou-lhe
no rosto. Seu Raul quis abraça-la, porém
conteve-se.
No domingo,
final de tarde ela pegou o avião com destino a Salvador. Seu Raul ficou vendo o
avião subir, perder-se no escuro da noite que se fechava sobre a cidade.
Segunda-feira,
mal acordou correu para o computador. Betinho já estava lá, esperando-a com mil
pedidos de desculpas por tê-la deixado sozinha. Ela falou de tudo que fez, dos
lugares lindos, etc etc e tal. Coisas que para ele eram tão banais. Algum tempo depois ele informou que precisava
sair pois tinha outra reunião importante e que a noite conversariam melhor.
Despediram-se.
Seu Raul
desligou o computador. Estava feliz. Olhou seu modesto apartamento, um quarto e sala encravado numa rua qualquer do subúrbio. O comprovante do saque de sua poupança sobre a mesa. Levantou-se, pegou o terno negro embalado no
saco transparente com o logo da loja de aluguel de roupas e a chave do carro
alugado que precisava devolver antes do meio-dia.
(Sexo Virtual –
Ivo Linhares)