sexta-feira, 29 de junho de 2012


ABERRAÇÕES, ANOMALIAS E ANORMALIDADES



              Deu sinal mesmo sabendo que o ônibus não pararia. Os motoristas dessa linha eram muito rígidos quanto a parar fora do ponto. Dali da porta do trabalho até o ponto eram uns dez minutos andando. Mas ele parou um pouco mais a frente. Ela correu.
              “Obrigada” disse ofegante ao motorista que era um rapaz novo. Ele só fez um gesto com a cabeça respondendo.
              Pesquisa o interior do ônibus mas o único lugar disponível é o banco reservado á idosos e gestantes. Parece que é seu dia de sorte e se continuar assim poderá ir sentada até em casa. Senta-se e  faz contas para saber o quanto estava ganhando por pegar o ônibus antes do ponto, e que na pratica significaria mais um tempo com seu filho antes que dormisse. Normalmente quando chegava, ele já estava dormindo. Doía-lhe vê-lo crescer e não estar acompanhando seu crescimento. Sábados, domingos e feriados era realmente muito pouco para uma mãe conviver com seu filho. O primeiro e talvez o único que terá.
              Fecha os olhos e pensa naquela coisinha que cresce, já ensaiando os primeiros passos, dizendo alguma palavra nova todo dia. Nem pensa mais no pai dele e em como pode se envolver com uma pessoa tão mau-caráter. Como conseguiu se enganar com tantas mentiras, ser tão tola para acreditar naquele amor que acabou quando disse que estava grávida. E pior, burra ao extremo, ainda chorou tanto por sentir falta de um homem que nem se preocupou em saber se o filho nasceu ou como fez para se virar sozinha. Sozinha não, pelo menos teve o apoio da mãe.
               O ônibus pára e não quer abrir os olhos. Ainda tem um lugar vago ao seu lado e não precisa ceder o seu por enquanto. Espera que não entrem  idosos ou mulheres grávidas. Alguém senta e algo toca em seu braço. Continua não querendo abrir os olhos.  A pessoa se mexe e alguma coisa fica batendo em seu braço. Abre devagar os olhos.
                A mulher ainda não achou a posição ideal para ela, a grande bolsa e a criança que tem no colo. Sem jeito, a mulher a olha rápido com um sorriso tolo e pede desculpas por estar incomodando.
           Com um gesto de  cabeça que pode significar muitas coisas ela responde mas sem dizer nenhuma palavra. É uma mulher magra e alta, com uma blusa decotada por onde facilmente se podem ver os pequenos seios. O excesso de maquiagem se confunde com marcas e manchas. Olha a criança embrulhada numa manta talvez branca, com marcas de vomito ou resto de mamadeira. A criança tem o olhar vago e imóvel, como se não visse o mundo, ou se visse o ignorasse. Sem muito jeito a mulher tenta refazer o “embrulho”.  Percebe, com  surpresa que a criança tem algum problema. Tenta fechar os olhos novamente, mas a outra começa a falar:
- Não é minha – diz a mulher ainda com aquele sorriso idiota – minha irmã não a quer porque nasceu assim. Mas estou tentando adotar. Já falei com o advogado da associação e ele esta estudando o caso. Disse que tenho grandes chances de conseguir, principalmente porque a criança é meu sobrinho e isso facilita. O problema é a nossa justiça que se apega a valores arcaicos. Eles preferem jogar essa criança num abrigo, num sanatório e deixar apodrecer do que permitir que eu cuide dela.
          Suas duvidas se dissipam quando ouve com mais clareza o tom daquela voz. Precisa responder algo mas não consegue. Por delicadeza olha novamente a criança apenas para disfarçar. Quer perguntar o que a criança tem, mas sente vergonha de falar.
- Sabe – continua ela, agora olhando fixamente para a mulher e ainda querendo ajeitar a manta – não sei como uma pessoa pode fazer isso, abandonar um filho. Mas sabe o que é, foi o vicio. De uma hora pra outra ela começou a usar drogas por causa de um namorado e ai destrambelhou tudo. Minha irmã era o xodó lá de casa, uma menina que sempre teve quase tudo porque mamãe fazia todas as vontades. Mamãe tinha vergonha de como eu era e por isso só cuidava dela. Só não fez aborto porque usava o dinheiro pra comprar a droga e porque quando mamãe soube que era menino não deixou tirar. Parece até castigo. Se não queria engravidar porque não se preveniu?  Aposto que se a criança fosse perfeita, loura e de olho azul ela ia mostrar pra todo mundo. Coisa de pobre mesmo, né? Depois, nem a avó quis saber, disse que já tinha coisa errada na família e não ia querer mais uma... ainda sobrou pra mim. Como se eu tivesse culpa por não nascer no corpo certo. Quem não agüentou mesmo foi papai. Um dia sem mais nem menos depois de um bate-boca pegou as coisas dele e sumiu. Mamãe disse que ele tinha  outra mulher e que ela não precisava dele porque ele era um traste, etc., etc, e tal, sabe como são essas coisas né, nessas horas se fala tudo que está atravessado na garganta. Mas enfim, aqui estamos. Sabe, estou esperando que o governo libere a operação pelo SUS porque não tenho dinheiro pra tal da  va-gi-no-plas-tia que é a mudança de sexo no caso masculino, que é o meu. Mas a coisa é muito complicada, sabe, tudo é problema pra nós. Tem-se que tomar muito hormônio, acompanhamento psicológico... diz que a gente tem que ter certeza de que quer mesmo mudar de sexo. Como se desde pequena não soubesse que havia algo diferente acontecendo comigo. As vezes acho que seria mais fácil um transplante de cabeça, sabe como é né,  pegar um corpo de mulher e  botar nossa cabeça lá, é menos complicado.
              A mulher ouve tudo calada e começa a duvidar que não era seu dia de sorte e torce para que entre um idoso e ela possa dar seu lugar a ele.  Incrível como as pessoas falam de si para estranhos.
- Mas existe coisa pior do que o meu problema. Pelo menos posso me virar, dou meu jeito, enfrento a barra  porque não posso ficar me escondendo e deixar de viver a minha vida. Mas ele, coitado, não tem ninguém alem de mim.
            Tenta levantar a criança, que é quase um boneco, para mostrar. Não percebe o  constrangimento da outra e continua a falar olhando para ele com um imenso sorriso.
- Sabe, assim que nasceu me apaixonei por ele. Foi uma coisa de identificação, como se algo dentro de mim dissesse que éramos iguais e que precisava cuidar dele. Não foi por pena porque minha irmã rejeitou, porque minha mãe ignorou... foi amor de mãe.
           A mulher não consegue esboçar nenhuma reação. Sente-se paralisada.
- É claro que isso é um exagero de minha parte, mas a senhora entende né? É instinto, afinal, se não fosse pelo corpo sou quase uma mulher. Desde que nasci que me sinto assim, com esse desejo de me vestir, de me pintar, de viver como mulher. Mas sofri muito, não pense que foi fácil assumir o que sou hoje. Sabe, o mundo é muito preconceituoso... acham que sou uma aberração, uma anomalia, uma anormalidade. Ninguém sequer pode entender o que senti esses anos todos, lutando por um espaço, por um pouco de respeito. Sabe, sou uma pessoa independente de qualquer coisa, e é isso que deveriam ver. Sou diferente é das outras que ficam se prostituindo, se vulgarizando. É claro que isso não acontece com todo mundo, depende mesmo de cada um, de como quer viver. Mas desde o inicio jurei que não seria uma promiscua, que não venderia meu corpo, não seria um objeto. Sabe, acho que esse é o papel de qualquer pessoa e principalmente de uma mulher. Historicamente nós mulheres sempre fomos encaradas como objetos a disposição dos homens para nos usarem da forma que quisessem. Isso acontece ainda hoje e a situação do transexual é ainda mais difícil porque ele não se valoriza, pelo contrario, não se reconhece como pessoa, prefere aceitar a imagem e o papel de paria, de escoria, que esta ali para isso mesmo, ser usado e descartado.   Procurei estudar, ser independente. Formei-me em administração e acredite, só consegui emprego decente porque fiz concurso público, porque aqui fora te ignoram, te descriminam. Um horror. Você consegue emprego em termas, naquelas casas de prostituição, e assim mesmo pra varrer o chão, fazer limpeza.
            As palavras se amontoam deixando a mulher mais confusa com o que ela ou ele diz. Mas pode imaginar seu  sofrimento, como pessoa. Sim, ao seu lado esta uma pessoa e não uma coisa. Uma pessoa com sentimentos, capaz de abraçar uma criança que não responde ao mundo como deveria. Uma pessoa que abre mão de seus problemas para cuidar de uma criança que precisará de atenção total até que sua missão esteja completa. Com certeza não é uma anomalia que sentou ao seu lado.
- A senhora desculpe estar falando essas coisas, mas as vezes não tenho com quem falar. Como ele, que talvez não fale nunca, só me olhe com esses olhos grandes e eu nem saiba o que ele quer de mim. Sei que tudo será muito mais difícil para ele porque nunca poderá se livrar do preconceito de ter nascido assim, pois vão olhá-lo com nojo, com indiferença, como uma monstruosidade. Escutaremos muitas piadinhas, seremos objetos de escárnio mas não me importarei porque já sei qual é o meu lugar e papel neste mundo.  
            Sente vontade de chegar em casa e abraçar seu filho. Amá-lo ainda mais por ter nascido perfeito, apesar de todo sofrimento por que passou. Mas agora sabe que mesmo que ele tivesse nascido como aquela criança ali o amaria do mesmo modo.
- Não se preocupe - afinal consegue dizer – tudo na vida tem uma razão de acontecer, existe um projeto para cada um de nós. Talvez esse seja o seu e pelo que me contou parece que esta no caminho certo.
            E virando-se para a mulher pergunta, enquanto estende os braços em direção a criança:
- Posso segurá-la?


(Este conto faz parte do livro "O ARCO-ÍRIS NO FIM DO POTE DE OURO" de Ivo Linhares)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A LOBA


A LOBA


                Depois do “oi tudo bem?” e dos beijinhos em cada lado do rosto sentaram-se e não se falou mais nada. Ficaram assim, um em frente ao outro, pensando ou não sobre quem começaria a falar alguma coisa.  Ambos sabiam que alguma coisa devia ser dita, ela achando que caberia a ele  prosseguir mas a julgar pelo modo como se sentou, as pernas cruzadas em xis, o olhar tranqüilo piscando para o nada, teria que ser dela a iniciativa. “Mas porque eles hoje não tomam mais a iniciativa”, pensava ela enquanto ele limpava os óculos. Mexeu-se na cadeira varias vezes mostrando seu desconforto, porém ele parecia compenetrado em sua tarefa. Então, discretamente, olhou o relógio sobre a mesa e depois para a grande janela a sua esquerda. Anoitecia.
          "Perco meu tempo aqui”, pensava, enquanto o olhava dissimuladamente. É claro que percebiam que todo esse silencio era apenas  disfarce, camuflagem para encobrir o que um precisava ouvir o que o outro deveria falar.
                Era o terceiro encontro e não havia necessidade de tanta cerimônia de ambas as partes, entretanto ela ainda não se sentia tão a vontade e ele, por experiência, deveria ter percebido isso procurando puxar alguma coisa dela. Mas não era essa  sua intenção, pois não pretendia facilitar em nada o rumo dos acontecimentos. Ela até pensou em continuar com o assunto  da última vez que se encontraram. Ele ficou impressionado como ela havia definido o casamento: apenas um engodo  onde as mulheres fingem deixar os homens acreditar que tem direito e  poder sobre elas.
             Viu as cores do dia se desmanchando,  cedendo espaço para a noite. Ficou ansiosa e para disfarçar fechou os olhos. Ás vinte e três e cinqüenta e dois minutos será lua cheia. A Grande Mãe despertando nela seu lado escuro, oculto, libertando Lilith, a parte secreta de sua psique que a faz ter poder e domínio sobre sua sexualidade.  Devia falar isso a ele porém, por mais que sinta essa necessidade sabe que ainda não deve. Como explicar que em noites de lua cheia seu corpo se transforma e ela pode ter a forma de uma Marilyn Monroe ou de uma Rita Hayworth, com curvas e modos sensuais, bem diferente da Vênus de Willendorf que na verdade é.
               Lembra com exatidão a primeira vez que isso lhe aconteceu: 26 de outubro de 2007. Depois soube que neste dia o satélite esteve mais próximo da Terra, deixando-a 30% mais brilhante por estar 14% maior.
        Naquela noite acordou assustada, o corpo formigando, fervendo e simplesmente não acreditou naquilo que viu diante do espelho. Era uma mulher absurdamente linda, extremamente erótica e sensual, o que sempre pensou em ser na vida mas por uma razão desconhecida isso não lhe acontecera.      
           Entretanto, essa transformação não a fazia sentir-se uma “devoradora de homens”, ao contrario, eles nada significavam, nem mesmo como simples objetos para lhe dar prazer. Suas atenções se voltavam para as pessoas do mesmo sexo, coisa que até então nunca havia experimentado.
           Como uma ladra, invadiu o quarto dos pais e pegou no closet o fraque preto do pai e vestiu-se como Marlene Dietrich no filme Marrocos. A cena do beijo entre as duas mulheres rodava em sua cabeça como num filme com defeito, voltando sempre para a mesma cena,  deixando-a extremamente excitada. Na rua, cigarro no canto dos lábios, sentiu-se como uma loba no cio em busca de uma mulher para saciar seus desejos, aparentemente libertos de qualquer preconceito.
          Duas noites depois, voltou a mesma boate freqüentada por  mulheres em busca de prazer e diversão. Dessa vez, sentia-se a própria Gilda, magnificamente interpretada pela bela Rita Hayworth, e por essa razão, todas as mulheres a olharam, com desejo e inveja.
           Nesse instante esquecia por momentos que odiava ser obrigada a ter que ir aquelas horríveis sessões com o psicanalista, um homem insosso que se sentava de pernas cruzadas e ficava olhando o vazio sem lhe dizer nada, ou pior, poucas palavras. Odiava ainda mais os encontros com o endocrinologista, suas dietas e recomendações. Odiava sobretudo, a irmã magra e faceira, cujo único e maior defeito foi ter nascido antes dela e talvez por isso ter recebido dos pais o gene da beleza, nada deixando para ela. Odiava as roupas que deformavam seu corpo e a ausência de olhares dos rapazes. Odiava também a melhor amiga com seus óculos fundo de garrafa, tão desengonçada e tola, capaz de demorar uma eternidade para rir de uma piada mais sem graça do que ela. Odiava os pais que, secretamente, amavam  mais a irmã linda e inteligente. Odiava intensamente a vida que levava e todos os remédios que se obrigava a tomar e o pouco efeito benéfico que faziam ao seu corpo. Odiava não ser convidada para as festas, ou ter que ir obrigada e ficar sentada esperando que alguém a tirasse para dançar, o que nunca acontecia. Odiava ver os outros se divertindo enquanto polidamente  recusava os  doces e salgadinhos que lhe ofereciam, talvez por pura maldade. Odiava crescer tão desprezada pelas meninas magras e bonitas e ser obrigada a brincar com aqueles meninos tolos e afeminados mas que por algum motivo aceitavam que ela os dominasse.  Brincavam quase sempre como ela sendo uma mãe má, perversa, que castiga os filhos sem qualquer motivo e eles adoravam os castigos, as humilhações. Secretamente todos se sentiam felizes brincando assim. Nunca pode entender como podiam sentir prazer naquilo.
             Podia dizer a ele sobre essas coisas que fazia na infância e que lhe davam um grande prazer, porem ele não lhe perguntava nada, agindo como todos os outros que a ignoravam.
              Via  o homem sentado a sua frente, o olhar sem vida, imperturbável e teve vontade de pular sobre ele, rasgar-lhe as roupas e arrancar daquela cara de bunda os olhos que nada viam para chupá-los como uvas acidas e intragáveis que depois cuspiria com indisfarçável prazer. Obrigaria-o a meter aquele membro ridículo em sua vagina fazendo-a gozar. Depois sairia devagar do consultório deixando-o caído, uma das mãos segurando o membro em frangalhos e a outra  tateando o chão a procura do bagaço de seus olhos. Passaria pela recepcionista com calma e sensualmente mostraria a língua gosmenta de córnea e restos de íris para que a noticia se espalhasse e o mundo visse do que era capaz.
            De tão real que parecia, esse pensamento acabou por assustá-la. Abriu os olhos e pode ver isso no olhar interrogativo do analista que entre abriu os lábios como quem quisesse perguntar alguma coisa, mas não pronunciou nenhuma palavra. 
             “Ah se ele soubesse o quanto existe de mundo dentro do meu corpo poderia ser menos idiota com essa fantasia de dono do saber! Até quando aguentará ficar calado? Dez, quinze, cem sessões? Podemos brincar disso para sempre mas uma hora isso perderá a graça. Ele deve ser como os inquisidores  que precisavam torturar os inocentes para descobrir que todas as verdades que diziam eram somente mentiras para fazê-los dormir mais tranqüilos.”
             Resolve cruzar as pernas deixando grande parte da coxa visível para depois olhá-lo bem dentro dos olhos para saber se  a olharia ou simplesmente desviaria o olhar. Entretanto, ele continua com o olhar projetado no vazio. Muitos minutos se passaram até que o bip-bip do despertador  indica o final da consulta.  Ele rapidamente se levanta e rigorosamente repete a mesma frase das consultas anteriores:
- Ok, até a próxima consulta.
             Ao passar pela secretária na recepção atira-lhe a mordaça imaginaria enquanto acena um até logo.
             Já na rua caminha em direção ao shopping e lá chegando vai direto a praça de alimentação comer dois ou três sanduíches acompanhados de um grande copo de refrigerante. Depois vaga pelos corredores, olhando vitrines e as vendedoras magras, lindas, verdadeiras mísseis, mulheres saídas de capas de revistas. Odeia aquela exposição gratuita de beleza, dos corpos quase perfeitos. Inveja cada detalhe que observa, mas  como o lobo faminto que não consegue alcançar as uvas e as quer ver verdes, prefere mentir dizendo a si mesma que a lua a faz ser feliz do modo que é.
          Chega em casa quase na hora do jantar e a mãe, sentada na sala olhando a revista de modas faz a rotineira pergunta: “como foi na terapia?” e ela responde do mesmo modo de sempre: “bem, conversamos muito.” Enquanto sobe as escadas para o segundo andar avisa que não ira jantar porque tomou um suco na rua e precisa manter a dieta. Não vê, mas sente que a mãe esta orgulhosa dela.
          Enquanto a irmã toma banho ela vasculha seu  armário até achar aquele vestido que lembra Anne Baxter  interpretando Eve Harrington no filme A Malvada.
           Em seu próprio quarto abraça-se ao vestido e rodopia pelo quarto. Estica-o na cama e  enquanto toma os antidepressivos torce para que a hora passe rápido e possa ver de sua janela a imensa lua.
              Esta noite sairia em busca de uma Bete Davis para amar.


(Este Conto faz parte do livro "O ARCO-IRIS NO FIM DO POTE DE OURO" de Ivo Linhares)