quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

COMO EM UM FILME


COMO EM UM FILME

Douglas encostou a cabeça amarronzada do membro e forçou um pouco para que ela deslizasse entre as nádegas de Fabricio.

Namoravam a pouco mais de dois meses. Conheceram-se no cinema do shopping em uma noite fria e chuvosa. Quer dizer, sentaram lado a lado e mal se olharam. Viram o filme sentindo a presença do outro em pequenos movimentos que captavam quando a tela lhes iluminava a silhueta.
Depois a coincidência, e creio que isso não é lá muito plausível de se acreditar que exista, mas que seja mesmo a tal coincidência que os fez dividirem a mesma mesa da lanchonete.
Embora não tivesse o hábito de falar com estranhos, Fabricio puxou conversa quando os olhos se encontraram.
“Você gostou do filme?”
Douglas continuou mastigando, engoliu, limpou a boca com o guardanapo.
“Gostar pode ser uma expressão muito ampla. Diria que foi interessante. Havia partes demasiadamente longas, o que tornou o filme cansativo.”
Fabricio analisou o que ouviu enquanto mastigava o sanduiche.
“Estamos nos acostumando com um viver muito rápido. Acho que estamos perdendo a paciência para saborear a vida.”
A reflexão de Fabricio tocou Douglas.
“É, você pode ter razão.”
Não podemos dizer que ali nasceu uma amizade.  Nem tão pouco interesse de sexo por sexo. Não flertaram. Não se curtiram como a “coincidência” sugeria.
Mesmo assim marcaram ver outro filme na semana seguinte.  Mas não trocaram celulares.

No primeiro toque do pau amarronzado de Douglas Fabrico sentiu crescer vertiginosamente sua ereção. Apertou os lábios e fechou os olhos. Segurou a vontade desesperada de apertar o próprio pau.

Na semana seguinte quando Douglas chegou Fabricio já havia comprado os ingressos. Apertaram-se as mãos rapidamente e entraram.
 Enquanto a sala enchia ficaram reparando as pessoas que entravam.
Pessoas que mal sentavam já pegavam nos celulares. Os casais trocavam poucas palavras entre si, atraídos pela luminosidade dos aparelhos como se contemplassem belos e reluzentes diamantes.
“Viu?” – Perguntou Fabricio.
“O quê?” – Respondeu Douglas.
“Como quase todos perdem a noção de que aqui, nesse momento, nesse lugar o tempo ou a vida pode ser mais devagar.”
Douglas olha a sua volta.
“Aqui é o lugar em que, o tempo pode ser perdido, sentido de outra forma.”

O pau amarronzado de Douglas ficou pulsando entre as nádegas de Fabricio, de quatro e  imóvel sobre a cama. Douglas queria segurar os quadris de Fabricio e puxa-lo para si. Sentir a cabeça do pau amarronzado se comprimir para entrar. 

As luzes se apagam aos poucos e a sala escurece por milésimos de segundos.
“É aquilo que te falei: falta paciência as pessoas para sentir mesmo o que vale a pena.”

Douglas fecha os olhos por segundos.  O pau amarronzado lateja.
Fabricio sente o calor do pau amarronzado ou é seu corpo que se aqueceu?  O corpo lhe pesa sobre os braços. Quer se curvar,  deixar e sentir a cabeça do pau de Douglas entrar um pouco. Mantem o corpo reto, seu pau pulsando pedindo, implorando para ser tocado.

Risos ecoam pela plateia. Mas tanto Douglas quanto Fabricio não sorriem.  Eles estão vivendo o filme junto com os atores, atrizes, dividindo o mesmo espaço. Não são espectadores, estão no mesmo tempo e espaço da realidade ficcional projetada na tela. Eles entendem e sentem.

Douglas ergue os braços e enfia, devagar, os dedos entre os cabelos.  É absurdamente incompreensível o que sente. O rosto se inclina e a gota de suor despenca lentamente até seu pau se estilhaçando como uma bomba.

Eles saem do cinema e não se falam. Podem pegar o taxi e chegar rápido ao apartamento de Douglas. Preferem ir a pé. Andando sem pressa, Nada é dito e nem se olham.

O pau de Douglas pulsa mais forte. A cabeça amarronzada avança por milímetros entre as nádegas de Fabricio.
E como no jogo de xadrez, quando o pião avança sabendo que seu sacrifício é necessário, Fabricio se curva sentindo em seus quadris as mãos delicadas de Douglas.