COMO EM UM FILME
Douglas encostou a cabeça amarronzada do membro e forçou um
pouco para que ela deslizasse entre as nádegas de Fabricio.
Namoravam a pouco mais de dois meses. Conheceram-se no cinema
do shopping em uma noite fria e chuvosa. Quer dizer, sentaram lado a lado e mal
se olharam. Viram o filme sentindo a presença do outro em pequenos movimentos
que captavam quando a tela lhes iluminava a silhueta.
Depois a coincidência, e creio que isso não é lá muito plausível
de se acreditar que exista, mas que seja mesmo a tal coincidência que os fez dividirem
a mesma mesa da lanchonete.
Embora não tivesse o hábito de falar com estranhos, Fabricio
puxou conversa quando os olhos se encontraram.
“Você gostou do filme?”
Douglas continuou mastigando, engoliu, limpou a boca com o
guardanapo.
“Gostar pode ser uma expressão muito ampla. Diria que foi
interessante. Havia partes demasiadamente longas, o que tornou o filme
cansativo.”
Fabricio analisou o que ouviu enquanto mastigava o sanduiche.
“Estamos nos acostumando com um viver muito rápido. Acho que
estamos perdendo a paciência para saborear a vida.”
A reflexão de Fabricio tocou Douglas.
“É, você pode ter razão.”
Não podemos dizer que ali nasceu uma amizade. Nem tão pouco interesse de sexo por sexo. Não
flertaram. Não se curtiram como a “coincidência” sugeria.
Mesmo assim marcaram ver outro filme na semana seguinte. Mas não trocaram celulares.
No primeiro toque do pau amarronzado de Douglas Fabrico
sentiu crescer vertiginosamente sua ereção. Apertou os lábios e fechou os
olhos. Segurou a vontade desesperada de apertar o próprio pau.
Na semana seguinte quando Douglas chegou Fabricio já havia
comprado os ingressos. Apertaram-se as mãos rapidamente e entraram.
Enquanto a sala enchia
ficaram reparando as pessoas que entravam.
Pessoas que mal sentavam já pegavam nos celulares. Os casais
trocavam poucas palavras entre si, atraídos pela luminosidade dos aparelhos
como se contemplassem belos e reluzentes diamantes.
“Viu?” – Perguntou Fabricio.
“O quê?” – Respondeu Douglas.
“Como quase todos perdem a noção de que aqui, nesse momento,
nesse lugar o tempo ou a vida pode ser mais devagar.”
Douglas olha a sua volta.
“Aqui é o lugar em que, o tempo pode ser perdido, sentido de
outra forma.”
O pau amarronzado de Douglas ficou pulsando entre as nádegas
de Fabricio, de quatro e imóvel sobre a
cama. Douglas queria segurar os quadris de Fabricio e puxa-lo para si. Sentir a
cabeça do pau amarronzado se comprimir para entrar.
As luzes se apagam aos poucos e a sala escurece por milésimos
de segundos.
“É aquilo que te falei: falta paciência as pessoas para
sentir mesmo o que vale a pena.”
Douglas fecha os olhos por segundos. O pau amarronzado lateja.
Fabricio sente o calor do pau amarronzado ou é seu corpo que
se aqueceu? O corpo lhe pesa sobre os
braços. Quer se curvar, deixar e sentir a
cabeça do pau de Douglas entrar um pouco. Mantem o corpo reto, seu pau pulsando
pedindo, implorando para ser tocado.
Risos ecoam pela plateia. Mas tanto Douglas quanto Fabricio não
sorriem. Eles estão vivendo o filme
junto com os atores, atrizes, dividindo o mesmo espaço. Não são espectadores,
estão no mesmo tempo e espaço da realidade ficcional projetada na tela. Eles
entendem e sentem.
Douglas ergue os braços e enfia, devagar, os dedos entre os
cabelos. É absurdamente incompreensível o
que sente. O rosto se inclina e a gota de suor despenca lentamente até seu pau
se estilhaçando como uma bomba.
Eles saem do cinema e não se falam. Podem pegar o taxi e
chegar rápido ao apartamento de Douglas. Preferem ir a pé. Andando sem pressa, Nada
é dito e nem se olham.
O pau de Douglas pulsa mais forte. A cabeça amarronzada avança
por milímetros entre as nádegas de Fabricio.
E como no jogo de xadrez, quando o pião avança sabendo que
seu sacrifício é necessário, Fabricio se curva sentindo em seus quadris as mãos
delicadas de Douglas.
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