Ana Clara
sentiu a língua rodopiar em seu anús como gira a hélice de um helicóptero quando
é ligado. Seus olhos se arregalaram e sua boca se abriu sem emitir qualquer
som. Era a primeira vez que alguém lhe tocava em ponto tão intimo e
inexplorado.
No dia
seguinte, o dia todo, esperou por uma ligação que não veio. Ficou até tarde no
facebook e nada. Foi dormir triste e ansiosa. De madrugada acordou do nada e de
estalo se lembrou daquela língua. Umedeceu o dedo com a própria saliva e experimentou
reconstituir a sensação. Não chegou perto, mas aliviou seu corpo do desejo
daquele toque.
A tarde
continuou esperando que ligasse. Mas recebeu uma orquídea com o pedido de
desculpas por não ter ligado. O cartão não tinha assinatura. Não podia ter.
A mãe ficou
desconfiada. Era coisa de homem casado. Não assinar um cartão com uma flor tão
delicada e bela? Era casado sim.
A noite,
acordou sonhando com a língua em seu corpo, a vagina pulsando, o suor
tomando-lhe o corpo, molhando o lençol. Uma semana depois de receber a flor que
ainda continuava linda e não haviam mais se encontrado.
Saiu da
escola, caminhou até o ponto, mas antes de pegar o ônibus o carro parou e a
porta se abriu. Sorriu como uma orquídea. Entrou apressada, a memória do corpo
assanhando o anús, ansioso, desesperado por aquela língua.
O carro
seguiu. No primeiro sinal se olharam. Ana Clara passou a mão pelos cabelos de
Lucinha e declarou:
- Meu corpo sentiu a sua falta.
(Sexo Virtual – Ivo Linhares)
ResponderExcluirWilma Silva Lopes
23 de dezembro de 2012 20:34
quero mais...muito bom!!