domingo, 23 de dezembro de 2012

SEXO VIRTUAL - CONTOS)


            Ana Clara sentiu a língua rodopiar em seu anús como gira a hélice de um helicóptero quando é ligado. Seus olhos se arregalaram e sua boca se abriu sem emitir qualquer som. Era a primeira vez que alguém lhe tocava em ponto tão intimo e inexplorado.
            No dia seguinte, o dia todo, esperou por uma ligação que não veio. Ficou até tarde no facebook e nada. Foi dormir triste e ansiosa. De madrugada acordou do nada e de estalo se lembrou daquela língua. Umedeceu o dedo com a própria saliva e experimentou reconstituir a sensação. Não chegou perto, mas aliviou seu corpo do desejo daquele toque.
            A tarde continuou esperando que ligasse. Mas recebeu uma orquídea com o pedido de desculpas por não ter ligado. O cartão não tinha assinatura. Não podia ter.
            A mãe ficou desconfiada. Era coisa de homem casado. Não assinar um cartão com uma flor tão delicada e bela? Era casado sim.
            A noite, acordou sonhando com a língua em seu corpo, a vagina pulsando, o suor tomando-lhe o corpo, molhando o lençol. Uma semana depois de receber a flor que ainda continuava linda e não haviam mais se encontrado.
            Saiu da escola, caminhou até o ponto, mas antes de pegar o ônibus o carro parou e a porta se abriu. Sorriu como uma orquídea. Entrou apressada, a memória do corpo assanhando o anús, ansioso, desesperado por aquela língua.
            O carro seguiu. No primeiro sinal se olharam. Ana Clara passou a mão pelos cabelos de Lucinha e declarou:
- Meu corpo sentiu a sua falta.
           
(Sexo Virtual – Ivo Linhares) 

Um comentário:



  1. Wilma Silva Lopes

    23 de dezembro de 2012 20:34


    quero mais...muito bom!!

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