Uma língua quente e
molhada tomou de assalto seus seios. Circulava rápido o biquinho num redemoinho
que o sugava para dentro de uma boca vulcânica. Depois, descia para as aureolas
como um carro contornando suave numa curva.
Um braço forte ergueu-a,
trazendo o corpo dela para o corpo dele e instintivamente as bocas se acoplaram
enquanto as línguas escorregadias dançavam um tango de Gardel.
Lá embaixo, sentia o
furor das estocadas que estremecia de prazer seu corpo, quase lhe tirando a
alma do lugar.
Ao final, depois que ele
espirrou sobre o corpo dela o sêmen quente e viscoso e ela ficou imóvel sobre
a cama, todos no estúdio aplaudiram entusiasmadamente.
Maki Haruka se sentiu
envergonhada. Por instantes sentiu seu corpo ainda reagindo como se Koike a
estivesse possuindo por ter estado tão
próxima ao gozo, mas o homem terminou antes. Depois, quando abriu os olhos
sentiu-se suja.
Por mais que soubesse
que nada daquilo tinha importância e que só fazia um papel, ainda assim
sentiu-se suja. Não era como estar com um cliente deixando que ele a usasse
para ter, por poucos momentos, a ilusão de que era feliz. Pensou em gritar: digam para a vida que não me
calo! Digam para o mundo que meu desejo é livre e compartilho-o como quiser e a
meu bel prazer. E se me olhar te agrada, fique a vontade para me desejar. Mas,
um conselho darei: não sou a essência que procura enquanto houver uma brisa no
ar.
Maki Haruka não queria
mais ver Koike, pensar nele, estar com ele ou deseja-lo dentro de si. Tentava
esquecê-lo vivendo naqueles filmes a dor de quem não se perdoa por enganar-se,
por esquecer-se do compromisso de nunca se apaixonar pelo cliente. Via-se agora
nas fotos, tornando público o que só fazia entre quatro paredes e não conseguia
explicar se era arte ou pornografia. Sua alma a via nas fotos, nos filmes, como quem procura um sentido, o que escondia de
si própria, um mistério que não via, porém,
sabia que existia. Maki Haruka não via
mais sua juventude, seu sorriso, seus gestos, seu olhar. Existia outro alguém
naquele mundo sem vida, sem a vida que já existiu em um mundo, o seu mundo, quando
amava alguém.
(Fim da 60ª parte –
continua)
®
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