terça-feira, 27 de novembro de 2012

AMOR E MEDO (59ª parte)



        A língua de Koike entrava pela vagina de Maki como se sua sede fosse insaciável, buscando beber o mais que pudesse numa fonte cujo único e maior desejo era dar e receber prazer.
        Maki rompia a promessa que fizera a si mesma antes de se deitar com Koike e gemia transtornada pelo prazer que sentia subir-lhe pelo ventre. As mãos dele a puxava pelos quadris e Maki, já em desespero, erguia levemente o corpo, como quem flutuava. Ainda com a boca e a língua saboreando a pequena vagina de Maki, ele a arrastou para a beirada da cama e encostou a ponta do seu pau na entrada totalmente molhada, de gozo e de saliva.
        O corpo de Maki se contraiu e quando ele entrou, devagar, suave, forte, firme, ela soltou um gemido abafado e longo.
        E durante um longo tempo ele ficou assim: entrando devagar e saindo rápido, entrando rápido e saindo devagar.
        Exausta, Maki aos poucos tentou sair daquilo que a possuía, que a fazia perder totalmente o controle da situação. Queria voltar a ser profissional, abandonar um sentimento que não fazia parte de sua vida e tirar da cabeça toda a fantasia que cada vez mais entrava, como aquele pau, em suas entranhas.
        Com agilidade, enlaçou o corpo de Koike com as pernas e curvou-se para agarra-lo. Girou rapidamente o corpo e o derrubou sobre a cama. Ele deixou-se dominar e ela, estando de frente para ele o montou, tentando recobrar o controle sobre ele.
        Em sua cabeça queria que ele gozasse para poder ficar livre de todas as emoções que tiravam dela as forças para reagir contra aquele homem que lhe dava tanto prazer. Subia e descia com velocidade e a medida que fazia isso seu prazer aumentava. O suor pulava de seu corpo respingando sobre o dele, igualmente suado. O som, os cheiros, as cores, tudo sumia e voltava com a intensidade das bombas, da destruição. Em seu peito, Koike tinha uma Hiroshima e no de Maki uma Nagasaki.
        Em segundos, ambas explodiriam. 


                                                  * * * * * 

 

        Koike, depois de quase uma hora começou a sentir um certo medo. Suas costas doíam por estar sentado tanto tempo num desconfortavel caixote, improvisado como cadeira. Não tinha o menor sentido continuar naquela construção em ruinas tão tarde da noite a espera do contato que Midori disse que iria procura-lo. Já pensava em ir embora quando ouviu um barulho de algo que se arrastava. Tentou manter a calma, mesmo ouvindo o barulho cada vez mais nítido, cada vez mais perto.
        Manteve-se quieto, tentando demonstrar uma aparente calma. Não tinha ideia do que seria aquele som e sua imaginação, movida pelo medo, construía fantasmas, assassinos, ladrões e toda a sorte de monstros que povoam nossas mentes nesses momentos. Quando deu por si, notou que o som havia cessado.
- Não se vire rapaz, não estou interessado em ver seu rosto nem preciso que veja o meu. O anonimato garante nosso compromisso de nesse primeiro momento não sermos apresentados.
        A voz estava mais ou menos próxima. Era uma voz de alguém muito velho.
- Disseram que você quer entrar para a Irmandade da Serpente. Tem ideia do que isso significa? Do compromisso que assumirá conosco? Que sua vida pode passar a nos pertencer?
- Sim.
        Responde Koike com a voz tremula e em tom muito baixo.
- O que disse rapaz? Fale alto para que possa ouvi-lo!
        A voz veio forte, aterrorizante, digna de qualquer vilão de filmes que Koike costumava assistir quando era criança.
- sim! Estou ciente disso! - Falou Koike em um tom quase que desafiador.
- E porque quer fazer parte da irmandade?
- Se a irmandade for o que penso gostaria de servi-la e ajudar a quem precisa. – Continuou Koike ainda no mesmo tom.
        A voz soltou uma estrondosa e medonha gargalhada.
- Você não tem ideia do que somos rapaz, como pode querer servir-nos?
- Foi-me dito que a irmandade ajuda a quem teve seus direitos negados e como advogado poderei...
- Já temos advogados que servem a irmandade, e muitos melhores que você. Porque deveríamos admitir um fracassado, um homem que até a própria mulher deixou.
        Koike engoliu o resto de saliva que ainda lhe restava e passando a língua pelos lábios secos, tentou recuperar o pouco de dignidade que lhe sobrou diante daquela colocação.
- Sim, e verdade que minha mulher me abandonou. Sim, é verdade que não tive competência para dar a ela tudo que esperava de mim. Mas é verdade também que preferi perde-la a me vender aos policiais corruptos, a políticos ordinários, a comerciantes desonestos para satisfazer seus desejos de mulher fútil. Meus princípios e minha honra nunca estarão a venda.
       E num ímpeto, levantou-se derrubando o caixote que lhe servia de assento.
- Seja o senhor quem for, agradeço por ter vindo e peço que me libere desta conversa.
     Novamente ouviu-se a mesma gargalhada sinistra, dessa vez um pouco mais curta.
- Sente-se rapaz. Não tive intenção de ofendê-lo, apenas disse a verdade que conhecia e agora sei o verdadeiro motivo pelo qual a deixou ir.
        E vendo que Koike permanecia de pé ordenou que se sentasse. Depois continuou:
- Conte devagar até cem, depois disso vá para casa e aguarde. Se for necessário faremos novo contato.
        E sem esperar por qualquer resposta de Koike afastou-se fazendo o mesmo barulho de sua chegada.






(Fim da 59ª parte – continua)

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