A
língua de Koike entrava pela vagina de Maki como se sua sede fosse insaciável,
buscando beber o mais que pudesse numa fonte cujo único e maior desejo era dar e
receber prazer.
Maki
rompia a promessa que fizera a si mesma antes de se deitar com Koike e gemia
transtornada pelo prazer que sentia subir-lhe pelo ventre. As mãos dele a
puxava pelos quadris e Maki, já em desespero, erguia levemente o corpo, como
quem flutuava. Ainda com a boca e a língua saboreando a pequena vagina de Maki,
ele a arrastou para a beirada da cama e encostou a ponta do seu pau na entrada
totalmente molhada, de gozo e de saliva.
O
corpo de Maki se contraiu e quando ele entrou, devagar, suave, forte, firme, ela
soltou um gemido abafado e longo.
E
durante um longo tempo ele ficou assim: entrando devagar e saindo rápido,
entrando rápido e saindo devagar.
Exausta,
Maki aos poucos tentou sair daquilo que a possuía, que a fazia perder
totalmente o controle da situação. Queria voltar a ser profissional, abandonar
um sentimento que não fazia parte de sua vida e tirar da cabeça toda a fantasia
que cada vez mais entrava, como aquele pau, em suas entranhas.
Com
agilidade, enlaçou o corpo de Koike com as pernas e curvou-se para agarra-lo.
Girou rapidamente o corpo e o derrubou sobre a cama. Ele deixou-se dominar e
ela, estando de frente para ele o montou, tentando recobrar o controle sobre
ele.
Em
sua cabeça queria que ele gozasse para poder ficar livre de todas as emoções
que tiravam dela as forças para reagir contra aquele homem que lhe dava tanto
prazer. Subia e descia com velocidade e a medida que fazia isso seu prazer
aumentava. O suor pulava de seu corpo respingando sobre o dele, igualmente
suado. O som, os cheiros, as cores, tudo sumia e voltava com a intensidade das
bombas, da destruição. Em seu peito, Koike tinha uma Hiroshima e no de Maki uma
Nagasaki.
Em
segundos, ambas explodiriam.
* * * * *
Koike,
depois de quase uma hora começou a sentir um certo medo. Suas costas doíam por
estar sentado tanto tempo num desconfortavel caixote, improvisado como cadeira. Não tinha o menor
sentido continuar naquela construção em ruinas tão tarde da noite a espera do
contato que Midori disse que iria procura-lo. Já pensava em ir embora quando
ouviu um barulho de algo que se arrastava. Tentou manter a calma, mesmo ouvindo
o barulho cada vez mais nítido, cada vez mais perto.
Manteve-se
quieto, tentando demonstrar uma aparente calma. Não tinha ideia do que seria
aquele som e sua imaginação, movida pelo medo, construía fantasmas, assassinos,
ladrões e toda a sorte de monstros que povoam nossas mentes nesses momentos.
Quando deu por si, notou que o som havia cessado.
- Não se vire rapaz, não estou
interessado em ver seu rosto nem preciso que veja o meu. O anonimato garante
nosso compromisso de nesse primeiro momento não sermos apresentados.
A
voz estava mais ou menos próxima. Era uma voz de alguém muito velho.
- Disseram que você quer entrar para
a Irmandade da Serpente. Tem ideia do que isso significa? Do compromisso que
assumirá conosco? Que sua vida pode passar a nos pertencer?
- Sim.
Responde
Koike com a voz tremula e em tom muito baixo.
- O que disse rapaz? Fale alto para
que possa ouvi-lo!
A
voz veio forte, aterrorizante, digna de qualquer vilão de filmes que Koike
costumava assistir quando era criança.
- sim! Estou ciente disso! - Falou
Koike em um tom quase que desafiador.
- E porque quer fazer parte da
irmandade?
- Se a irmandade for o que penso
gostaria de servi-la e ajudar a quem precisa. – Continuou Koike ainda no mesmo
tom.
A
voz soltou uma estrondosa e medonha gargalhada.
- Você não tem ideia do que somos
rapaz, como pode querer servir-nos?
- Foi-me dito que a irmandade ajuda
a quem teve seus direitos negados e como advogado poderei...
- Já temos advogados que servem a
irmandade, e muitos melhores que você. Porque deveríamos admitir um fracassado,
um homem que até a própria mulher deixou.
Koike
engoliu o resto de saliva que ainda lhe restava e passando a língua pelos lábios
secos, tentou recuperar o pouco de dignidade que lhe sobrou diante daquela
colocação.
- Sim, e verdade que minha mulher me
abandonou. Sim, é verdade que não tive competência para dar a ela tudo que
esperava de mim. Mas é verdade também que preferi perde-la a me vender aos
policiais corruptos, a políticos ordinários, a comerciantes desonestos para
satisfazer seus desejos de mulher fútil. Meus princípios e minha honra nunca
estarão a venda.
E
num ímpeto, levantou-se derrubando o caixote que lhe servia de assento.
- Seja o senhor quem for, agradeço
por ter vindo e peço que me libere desta conversa.
Novamente
ouviu-se a mesma gargalhada sinistra, dessa vez um pouco mais curta.
- Sente-se rapaz. Não tive intenção
de ofendê-lo, apenas disse a verdade que conhecia e agora sei o verdadeiro
motivo pelo qual a deixou ir.
E
vendo que Koike permanecia de pé ordenou que se sentasse. Depois continuou:
- Conte devagar até cem, depois
disso vá para casa e aguarde. Se for necessário faremos novo contato.
E
sem esperar por qualquer resposta de Koike afastou-se fazendo o mesmo barulho
de sua chegada.
(Fim da 59ª parte – continua)
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