O
advogado insistia em saber mais sobre a Irmandade do Olho da Serpente. Suspirei,
e num tom mais contido falei:
- A Irmandade não tem a força de uma
Yakuza, ou seja, não nos envolvemos com negócios escusos ou ilícitos. Não
existe uma história de sua origem, poucos membros se conhecem, eu particularmente
só conheço a pessoa que me levou a uma outra pessoa que me iniciou.
O
advogado se debruçou sobre a mesa e perguntou afoito:
- Mas o que é exatamente essa
irmandade, o que ela pretende?
- A Irmandade luta, basicamente,
pelo direito daqueles que de alguma forma perderam seus direitos injustamente.
Koike
refletiu durante alguns minutos, depois, solene, continuou:
- Não entendo qual o interesse da
Irmandade na morte da dominatrix. Afinal, ela era apenas uma prostituta de
luxo.
Meu
olhar se fecha sofre ele enquanto minha mão direita se fecha com força.
- Ela não era somente uma ‘prostituta
de luxo’ como insinua Koike. Ela fazia parte da Irmandade.
Imediatamente
o advogado se levanta e curvando-se numa respeitosa reverência pede desculpas
pelo modo como se referiu a ela.
*
* * * * * *
Maki
não conseguiu evitar de estar com Koike. Mas dessa vez, jurou a si mesma que
seria uma profissional e não sentiria nada que pudesse afasta-la de seu
compromisso consigo mesma.
Ele
pediu que ela se deitasse nua na cama, as costas para cima. Ela pensava em
comprar uma nova poltrona. Ele olhou o contorno das nádegas e sobre ela soprou
um ar quente, delicado e voraz ao mesmo tempo. Ela sentiu um arrepio e um ar
quente percorrendo caminhos sinuosos em busca do proibido desejo de não ser,
não estar, não conhecer. Só assim poderiam descobrir no corpo do outro alguém
que não existia, mas queria nascer.
(Fim da 58ª parte – continua)
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