sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

SEM AMOR NÃO É POSSÍVEL SER FELIZ

Não pensou em como dizer. Apenas disse.
Esperou a reação dele com a respiração suspensa. Ele continuou sério. Não conseguia imaginar o que estaria se passando dentro de sua cabeça. Era um homem inteligente, liberal, engenheiro, pai de dois adolescentes, divorciado recentemente. Entretanto, como todo ser humano, era imprevisível.
Baixou o olhar, depois a cabeça. Pensou que não devia ter falado, porém aquilo a consumia cada vez mais. Agora, com todo aquele silêncio sabia da resposta que ele tentava organizar na mente. Talvez não quisesse magoa-la.
Escute, disse com uma voz quase sumida, me precipitei falando o que sentia por você sem perceber que criei algo comigo que deveria ter ficado somente comigo. Por favor, esqueça o que eu disse.
Mordeu o lábio inferior e envergonhada começou a pegar suas coisas para ir embora.
Ele continuava imóvel com um olhar que nada significava enquanto a via, nervosa e tremula vestir a calcinha.
Queria sair dali o mais rápido possível, sumir, enfiar-se num buraco fundo e desaparecer para sempre.
Não tinha direito a felicidade e devia saber disso, era uma pessoa errada, num corpo errado, numa vida errada.
As lágrimas explodiram em seu rosto junto com os soluços. Levou as mãos ao rosto e caiu de joelhos.
A cada minuto fazia com que tudo ficasse irremediavelmente pior. Primeiro, as palavras sem pensar e agora o choro convulsivo, piegas, ridículo. Queria morrer. Precisava levantar depressa e sair correndo, atirar-se debaixo do primeiro ônibus que visse pela frente.
Levantou com uma das mãos cobrindo os olhos, limpando o rosto.
Ele a abraçou e ela tentou se desvencilhar.
Ele a apertou em seus braços. Sentiu a respiração forte em seu ouvido.
Agora chorava alto, desesperada, tremendo, abraçada ao corpo quente dele.
Uma das mãos dele desceu-lhe pela cabeça até a nuca, repetidas vezes.
O choro foi diminuindo, diminuindo. Com os polegares limpou delicadamente as lágrimas dela. Olhou-a por um tempo.
Beijaram-se.
Ela sentiu o pau dele crescendo. Os beijos se tornaram fortes, agressivos, violentos, desesperados como a paixão que explodiria rasgando as roupas um do outro.
Agora era tarde para retroceder, fugir, evitar o que sempre quis desde que o viu a primeira vez, desde que fizeram amor pela primeira vez.
Segurava com a mão por baixo o seio que chupava com voracidade. A outra mão percorria as costas descendo até a bunda, apertando-a ao mesmo tempo em que comprimia o pau duro contra o corpo dela.
Não queria sexo num momento em que se sentia tão frágil, porém não o recusou e procurou dar o melhor de si. Sabia como ele gostava e fez como ele queria.
Chupou a pica enfiando-a quase até a garganta por várias vezes. Alternava com uma das mãos friccionando o pau da glande até a base. As vezes ficava com uma parte na boca chupando forte enquanto uma das mãos rodava no resto do membro.
Bruscamente puxou o pau e a virou, pondo-a de quatro. Lambeu seu anus e encostou a ponta da pica que entrou com facilidade enquanto ela se curvava encostando a testa no chão.
Não demorou a gozar.
Curvou-se sobre ela e beijou suas costas. Ergueu-se e ela veio ainda de quatro para chupar o pau escorrendo sêmen. Acariciou afetuosamente sua cabeça enquanto ela lhe chupava olhando para ele.
                                                          
                                                                       ***

O taxi parou na esquina e ela desceu após ele beijá-la rápido, quase no rosto. O taxi seguiu sem que ele olhasse para trás.
Ficou parada na esquina vendo o carro sumir na longa avenida. Em seu intimo sabia que ele não voltaria.
A vontade de chorar voltou por alguns segundos. Conteve-se. Engoliu o choro e enquanto caminhava devagar limpando os olhos marejados até o bar aonde fazia ponto já não tinha certeza se queria continuar a viver.

(A orgia dos cães / IVO LINHARES)

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