segunda-feira, 3 de setembro de 2012

AMOR E MEDO (17ª parte)

- Gostaria de saber por que a senhora me contratou e não um detetive particular? – Continuou o advogado.
         Mantive a expressão serena e respondi.
- Detetives podem ser hábeis em muitas coisas, porém os advogados conhecem a lei e suas brechas. Além de estarem menos propícios a mudar de lado.
         Notei que ele ficou satisfeito com minha resposta pelo leve sorriso que esboçou.
- Sim, eu era amante de Sayuri Kuroki. A conheci por acaso em um bar a cerca de uns dois meses.
- E a senhora sabia o que ela fazia?
- Sim, por isso me interessei em sair com ela. Diga-me senhor Koike Satoshi como é sua vida?
         O advogado olho-me um pouco espantado.
- Qual a importância que minha vida teria para a senhora e para o caso em si?
- Entendendo como vive, o que se passa em sua cabeça posso entender como agirá para resolver o caso. É uma troca justa não acha?
- Acho desnecessária sua proposta.
- Sei que o senhor foi casado e tem uma filha.
- Talvez seja o suficiente.
- Se devo contar minha vida ao senhor é justo que saiba da sua também.
- Minha vida não vai além disto. Sou um homem caseiro, dedicado ao trabalho, bebo pouco e procuro dar uma boa educação a minha filha.
- Sua mulher, o que aconteceu a ela?
         Nesse momento seu rosto se fechou.
- Morreu? – Pergunto – O deixou por outro?
         Noto que sua mão esquerda se fecha.
- Quando nossa filha estava com uns treze anos ela resolveu ir embora. Deixou de gostar de nós. A vida que lhe dava era insuficiente para suas ambições. E a senhora, é casada? Com um homem?
         Enfeitei meus lábios com um sorriso quase irônico.
- Sim, com um homem.
- Foi forçada a casar-se?
- Talvez não. As vezes só descobrimos do que realmente gostamos quando experimentamos aquilo que não gostamos. É preciso ter certeza para não se arrepender depois. Casei-me porque minha natureza pedia, e não sei se o senhor sabe, mas é impossível lutar contra nossa natureza.

        
(Fim da 17ª parte - continua)

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