Não era uma mulher comum.
Postava fotos nas redes sociais e atraia muitos seguidores.
Usava sempre máscaras diferentes e fazia poemas intrigantes. Seu corpo era deslumbrante.
Acidentalmente um dia vi uma de suas fotos. Pela mascara vi seus olhos. O brilho fatal do amor se escondia ali. Também me apaixonei e viciei-me em olhar suas fotos buscando sempre ver aquele olhar.
Mas em todo o poema, em alguma parte, havia um algo de compreensível. Era uma mulher triste, sem amor, uma mulher que vivia dos amores que não existiam, de masturbações sonhadas, imaginadas, que lhe dedicavam seus fieis seguidores.
Porém, a amava tão secretamente que escondia isso de mim por vergonha de viver uma fantasia, como colegial atormentado por fantasias que não poderia realizar.
Respondia-lhe as fotos com poemas apaixonados que de certo ela lia entre risos de escárnio, de deboche pois o que a nutria era os comentários picantes, eróticos, sacanas, despudorados. Vivia das pornografias que lhe escreviam, das cretinices de homens rudes, sem afeto e que viam seu corpo como um mero objeto a ser disputado por quem pudesse expor a mais vil baixaria.
Por essa mulher eu escrevia. Escrevia palavras doces, apaixonadas. Buscava nesses delírios uma vida que não daria a outra mulher que não fosse tão enigmática, tão sedutora, tão desesperadamente faminta de amor. Amor que ela não sabia sentir na alma, só no corpo.
Um dia, entretanto, eu disse não. Não quero mais ser escravo disso que sinto, que existe para me corromper o sentimento que desperdiço com uma mulher que se esconde em fantasias, em poemas psicóticos, que zomba de pessoas como eu e que não quer ser amada, apenas idolatrada como objeto de ilusões temporárias que se findam após um gozo.
E meu dedo, como na pintura de Michelangelo na Capela Sistina, quando Deus cria Adão simplesmente apertei o delete em meu computador.
E fez-se a luz em mim.
(Sexo Virtual)
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