segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A lança e o escudo

Eram tribos rivais que viviam em guerra.
Um dia, semanas após uma sangrenta batalha com muitos mortos, propuseram uma espécie de paz. Acordaram que para por fim a essa rivalidade cujo motivo já não se lembravam, fariam um casamento entre seus filhos e por um deles não ter mais filhos já que haviam morrido nas guerras enviaria seu mais mais valoroso guerreiros para unir as duas tribos numa só.
Estabelecida essa regra marcaram para a chegada da lua cheia o dia em que esse encontro aconteceria para por fim aquele inútil derramamento de sangue.
Na noite em questão as tribos se reuniram num local comum entre as duas aldeias para uma grande festa de confraternização que marcaria uma época de paz e prosperidade. Enquanto isso, cada um dos pretendentes subiriam cada um por um lado da cachoeira que separavam as duas tribos para se unirem fisicamente. Depois de consumado o casamento desceriam e aguardariam que o fruto daquela união, se forte, produzisse um grande guerreiro que no futuro chefiaria as duas tribos como uma só.
Pela manhã, mal os primeiros raios de sol despontavam clareando as matas as duas desceram de mãos dadas, sorrindo.
Aos poucos todos foram se levantando, dando passagem a elas que diante dos dois chefes pararam e quase que a uma única voz e ao mesmo tempo em que uma levantava a lança e a outra o escudo, soltaram o brado que para ambas as tribos representavam vitória.
O casamento havia se consumado.

(A lança e o escudo / Ivo Linhares)
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