domingo, 19 de janeiro de 2014

A orgia dos cães

Afinal, aquilo tudo seria somente um jogo?
Mas brincar com os sentimentos de outras pessoas era um jogo?
Não, não acho que poderia ser. Não deveria ser.
Então foi assim: havia me metido numa encrenca e essa encrenca tinha marido. Um sujeito forte, grande, indigesto. Um tipo que ninguém gostaria de ver nervoso, ainda mais nervoso com o cara que estava saindo com a mulher dele.
O perigo me atrai, dizia ela. Me excita saber que podemos ser descobertos.
No inicio eu não liguei mesmo. Queria era trepar com ela, uma mulher selvagem, sem meias ações, sem pudores, vulgar, criativa, dominadora, capaz de fazer loucuras por algumas horas de prazer.
Foi no dia em que deu uma festa e me convidou. Achei o máximo. Poderia dar cantadas na frente do marido, curtir aquela sensação de poder, de que era o fodão. Devia ter umas cem pessoas na casa de dois andares.
Me apresentou como sendo um ex-colega de faculdade e eu nem tinha concluído o ensino médio. Mas ela dizia que eu tinha cara de nerd e passaria despercebido. Na verdade nem sabia muito sobre ela. Sabia só que gostava de trepar. O marido dela devia ter um metro e noventa. Apertou  minha pequena mão com força enquanto sorria e me cumprimentava.
Durante a festa cruzou comigo umas duas vezes e numa delas sussurrou em meu ouvido que queria ser comida na garagem em cinco minutos e me indicou como chegar lá.
Na hora eu ri e achei que era brincadeira. Depois a vi sair em direção a cozinha. Minhas pernas tremeram. Era a coisa mais doida que estava prestes a fazer. Meu corpo tremia. Definitivamente estava nervoso e excitado.
Quando entrei na garagem a vi de quatro. O vestido puxado para cima, a calcinha em sua mão.
Anda, me come, me fode porra! Implorava ela de um modo sensual e aflito, quase em desespero.
Eu a comi com medo. Com meus sentidos em alerta e o coração aos pulos.
Quando estava para gozar eu a avisei e ela pediu para gozar dentro dela, queria desfilar pela festa sentido meu esperma lhe molhando a calcinha.  
Depois voltamos para a festa.
A vi abraçada ao marido, beijando-o. Ele tinha cara de apaixonado.
Afinal, aquilo seria só um jogo para ela?
Mas brincar com os sentimentos de uma pessoa era somente um jogo?

(A orgia dos cães / Ivo Linhares)
Direitos reservados

Nenhum comentário:

Postar um comentário