Afinal,
aquilo tudo seria somente um jogo?
Mas
brincar com os sentimentos de outras pessoas era um jogo?
Não,
não acho que poderia ser. Não deveria ser.
Então
foi assim: havia me metido numa encrenca e essa encrenca tinha marido. Um
sujeito forte, grande, indigesto. Um tipo que ninguém gostaria de ver nervoso,
ainda mais nervoso com o cara que estava saindo com a mulher dele.
O
perigo me atrai, dizia ela. Me excita saber que podemos ser descobertos.
No
inicio eu não liguei mesmo. Queria era trepar com ela, uma mulher selvagem, sem
meias ações, sem pudores, vulgar, criativa, dominadora, capaz de fazer loucuras
por algumas horas de prazer.
Foi
no dia em que deu uma festa e me convidou. Achei o máximo. Poderia dar cantadas
na frente do marido, curtir aquela sensação de poder, de que era o fodão. Devia
ter umas cem pessoas na casa de dois andares.
Me
apresentou como sendo um ex-colega de faculdade e eu nem tinha concluído o
ensino médio. Mas ela dizia que eu tinha cara de nerd e passaria despercebido.
Na verdade nem sabia muito sobre ela. Sabia só que gostava de trepar. O marido
dela devia ter um metro e noventa. Apertou minha pequena mão com força enquanto sorria e
me cumprimentava.
Durante
a festa cruzou comigo umas duas vezes e numa delas sussurrou em meu ouvido que
queria ser comida na garagem em cinco minutos e me indicou como chegar lá.
Na
hora eu ri e achei que era brincadeira. Depois a vi sair em direção a cozinha.
Minhas pernas tremeram. Era a coisa mais doida que estava prestes a fazer. Meu
corpo tremia. Definitivamente estava nervoso e excitado.
Quando
entrei na garagem a vi de quatro. O vestido puxado para cima, a calcinha em sua
mão.
Anda,
me come, me fode porra! Implorava ela de um modo sensual e aflito, quase em
desespero.
Eu
a comi com medo. Com meus sentidos em alerta e o coração aos pulos.
Quando
estava para gozar eu a avisei e ela pediu para gozar dentro dela, queria
desfilar pela festa sentido meu esperma lhe molhando a calcinha.
Depois
voltamos para a festa.
A
vi abraçada ao marido, beijando-o. Ele tinha cara de apaixonado.
Afinal,
aquilo seria só um jogo para ela?
Mas
brincar com os sentimentos de uma pessoa era somente um jogo?
(A
orgia dos cães / Ivo Linhares)
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