sexta-feira, 10 de agosto de 2012

AMOR E MEDO (4ª parte)




Existem milhões de coisas em sua cabeça Midori Hirata. Coisas que desconheço e que não preciso descobri. Mas sei bem o que é você. Você é uma merdinha que se achava muito sábia, esperta, importante e agora pensa que esta descobrindo quem existe dentro de você. Não sabe e não descobrirá porque todo dia nós mudamos junto com nossas células. Nossos sentidos mudam. Nossa percepção muda em relação ao mundo e o mundo entra em nós por aquilo que vemos, sentimos, acreditamos. Eu sou sua nova mais perversa célula. Eu te obrigo a mudar. Não é uma opção. Você não tem controle sobre suas células mas elas podem te controlar porque estão dentro do seu corpo, agindo em conjunto com todas as pequenas partes que formam seu quebra-cabeças.

Escuto aquelas palavras e quero me importar. Quero sentir que tudo tem uma razão para acontecer. Não quero amar essa mulher com um desespero que não é meu. Talvez das minhas células. Ela torce meus mamilos, um delicadamente o outro com força.

Sente isso? É assim que tudo acontece. Prazer e dor. Tenho pena de você que se acostumou a sentir na dor um prazer mesquinho e infantil sem tirar proveito dele. A dor não é sua inimiga quando se alia ao prazer.

A mulher aperta meu pescoço. Os dedos da outra  mão se infiltrando por minha vagina alagada de muco.

Sua busca não é por prazer mas pela dor que não quis sentir a sua vida toda.

O ar me falta e minhas células querem enlouquecer de prazer. As cordas que amarram meus pulsos aos tornozelos já não me apertam tanto. Não sinto o ar entrar em meus pulmões. Estou a ponto de desmaiar. A voz da mulher vai sumindo. O rosto da mulher vai embranquecendo. Tudo começa a ficar escuro.

Desperto com uma boca em minha boca. O ar entra e infla meus pulmões.

Um choque percorre meu corpo como se, dessa vez, minhas células estivessem também gozando.



(fim da quarta parte - continua)


® Direito de reprodução reservados





Nenhum comentário:

Postar um comentário