sexta-feira, 10 de agosto de 2012

AMOR E MEDO (3ª parte)


AMOR E MEDO



        Trouxe o último prato e após servi-lo sentei-me.
        Tomou um pouco do vinho e mecanicamente começou a comer.
        Não esperei que elogiasse o jantar. Era apenas comida.
      Falou do trabalho. Problemas. Falou do mundo. Problemas. Falou de pessoas que só conheço pelo nome e por seu caráter duvidoso. Problemas.
        Não falou de nós. 
    O celular tocou e ele atendeu fazendo cara de surpreso ao ver o número. Fez caras e bocas enquanto saudava com certa má vontade a pessoa. Bebia pequenos goles do vinho e respondia por monossílabos. Caras, bocas e gestos vagos. Ficou ouvindo a pessoa falar por mais tempo. Seu rosto demonstrava aborrecimento. Tentou falar mas a outra pessoa não dava espaço. Continuei comendo. Provei o vinho.
     Minha língua pesquisou o céu da boca enquanto sentia o gosto do vinho diluindo-se pela garganta. A mulher poderia estar sentada a minha frente mastigando com a boca aberta a comida. Bebendo o vinho que lhe escorreria pelo canto da boca. Eu poderia me arrastar para ela por sobre a mesa e lamber-lhe o vinho, pegar de sua boca a comida. Sentar em seu colo e esfregar meus pequenos seios em sua boca. Ela me empurraria, daria uns bons chutes e me puxaria pelos cabelos até o sofá onde depois de alguns tapas me beijaria e me forçaria a chupar sua vagina.
     Meu marido me vê no vazio. Como é nossa relação e nosso casamento. Sou responsável por isso. Midori Hirata. Estressada. Funcionaria licenciada de uma multinacional.
   Não me preocupo se ele falará ao celular durante o jantar. Melhor assim. Finjo prestar atenção sem nenhum interesse em sua conversa. Ele desligará e  relatará com alguns detalhes do que se trata e eu me manterei calada prestando atenção pensando no cabo do chicote passeando em meu corpo.
        





(Fim da terceira parte – continua)



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