terça-feira, 21 de agosto de 2012

AMOR E MEDO (9ª parte)


                Três ou quaro meses. Não sei. Não tem mais importância quanto tempo se passou. Mas percebo que meu marido envelheceu muito nesse tempo que não sei medir. Parece que algo o consome cada dia um pouco mais. As vezes tenta fazer amor comigo e na maioria das vezes desiste antes do fim. Não pergunto nada. Fingimos dormir. Fingir sempre pareceu fazer parte de nosso mundo.

         Pego o elevador e o ascensorista me diz que o advogado esta lá mas não irá abrir a porta. Quer que pensem que saiu. Ontem recebeu a visita de dois homens de aspecto ruim. Um deles tinha garras de dragão tatuada em uma das mãos subindo-lhe pelo braço. O outro usava um terno claro e apesar do perfume não cheirava bem. O advogado só saiu bem mais tarde, quando o prédio estava praticamente vazio e tinha um corte no lado esquerdo do rosto.
         Subimos até o último andar e ele pegou em um armário de madeira ao final do corredor uma sacola. Disse que antes que levassem as coisas da morta ele pegou coisas que poderiam me interessar. A polícia havia liberado o apartamento e o senhorio iria aluga-lo. Deixou-me sozinha no corredor mal iluminado. Despejei o conteúdo da sacola no chão. Cartas antigas, fotos antigas, uma caixa antiga com cadeado, uma lista com nomes, a maioria de mulheres e ao lado deles datas e números, um caderno grosso, velho, amarelado, chaves coloridas numeradas. Juntei tudo novamente na sacola e esperei o elevador.
         O cabineiro não me olhou quando entrei. Nunca olhava, entretanto me via. Eles são assim. Podem dizer que não sabem de nada, porem sabem sempre de tudo. Antes de chegarmos ao térreo ele me deu o papel com o endereço do advogado. Retribui dando-lhe mais algumas notas. Antes de sair pude ouvi-lo dizer de forma clara para que tomasse cuidado pois quando não sabemos como é o terreno devemos ir devagar.
        
        
(fim da nona parte – continua)

®Direitos de reprodução reservados

Nenhum comentário:

Postar um comentário