quarta-feira, 22 de agosto de 2012

AMOR E MEDO (11ª parte)



         O advogado ficou estático quando abriu a porta e me viu. Arregalou os olhos e entre abriu a boca como se fosse falar alguma coisa. Cravei meus olhos no dele de modo a não permitir indagações desnecessárias. Ele se afastou e permitiu minha entrada.

         Era um apartamento modesto, pequeno, como qualquer um no subúrbio de Tóquio. Estava bem arrumado. Notei sua preocupação. Perguntei se havia feito progressos. Ele disse que conseguira a relação das pessoas que visitavam a dominatrix  e que deveria procura-lo no escritório para que pudesse vê-la. Entreguei-lhe a sacola e disse que havia ali algo que ajudaria na investigação. Pretendia sair logo mas de repente uma linda jovem entra na sala. O advogado fica mais tenso e pede para que ela se retire. Interfiro pedindo para que me apresente a mulher. Fico fascinada com a aparente delicadeza da mulher. Contrariado, ele apenas diz que é sua filha Tomiko. A jovem faz uma reverencia e sai em seguida. Ele se dirige para a porta e pede que me vá, que o encontre amanhã no escritório para conversarmos sobre o conteúdo da sacola e tudo que já descobriu.

         Antes de sair olho-o novamente nos olhos e também para o corte em seu rosto. As palavras do velho cabineiro ecoam em minha cabeça.

         Sinto pena do homem e pela primeira vez depois de contrata-lo não sinto mais vontade de chicoteá-lo.

 

(Fim da 11ª parte - continua)

 

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