quarta-feira, 22 de agosto de 2012

AMOR E MEDO (12ª parte)


         Talvez eu aprenda com você que meu mundo, o que me deram ou aquele que não soube construir, pode também estar no seu, tão novo e jovem. Escolha agora se posso habitá-lo ou apenas passar por ele a caminho de um futuro em branco.

         Tomiko ficou me olhando por um interminável tempo. Tive a sensação de que deveria me arrepender pelo que disse. Entretanto, porque negar o que sentia?

         Tomiko segurou uma de minhas mãos e disse igual a uma mãe aconselhando o filho:

- Não sou lésbica e portanto não posso corresponder ao que sente por mim.

         Meus olhos desviaram do dela. Senti meu rosto em brasas. Ela continuou:

- Seu mundo é feito de dor. Seu amor é feito de medo. Se pudesse amá-la como quer que eu a ame não poderia deixar que trouxesse isso para dentro de mim. Eu amo como quem acorda todas as manhãs ouvindo os pássaros. Eu amo com a alegria de quem ouve a chuva a noite molhando as arvores enquanto sonho que sou uma arvore. Eu amo porque meu coração é delicado e leve. Eu amo porque o amor permite que me veja na vida como sou e não por vergonha ou desprezo pelo que deixei ser a minha vida.  Você precisa da dor para continuar acreditando em seu medo.

         Chorei silenciosamente. As lágrimas despencavam de meu rosto. Tomiko  me abraçou afetuosamente. Quis abraça-la com força, beijar-lhe a boca, joga-la contra a parede, rasgar suas roupas e ama-la com violência.

         Era a mais pura verdade que tinha medo de amar como todos os normais amavam. Era verdade que amava o medo que alimentava uma dor que não sabia de onde vinha. Na dor, refugiava um sentimento que escondia uma verdade que nunca era dita e que talvez não conhecesse, mas acreditava que era minha e precisava mantê-la presa.

         Desejei que Tomiko lambesse minhas lágrimas e beijasse minha boca. Desejei que depois ela me açoitasse com delicadeza para que eu afinal entendesse o que é amar sem medo.

(Fim da 12ª parte – continua)

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