Talvez
eu aprenda com você que meu mundo, o que me deram ou aquele que não soube
construir, pode também estar no seu, tão novo e jovem. Escolha agora se posso
habitá-lo ou apenas passar por ele a caminho de um futuro em branco.
Tomiko
ficou me olhando por um interminável tempo. Tive a sensação de que deveria me
arrepender pelo que disse. Entretanto, porque negar o que sentia?
Tomiko
segurou uma de minhas mãos e disse igual a uma mãe aconselhando o filho:
- Não sou lésbica e portanto não posso corresponder
ao que sente por mim.
Meus
olhos desviaram do dela. Senti meu rosto em brasas. Ela continuou:
- Seu mundo é feito de dor. Seu amor é feito de
medo. Se pudesse amá-la como quer que eu a ame não poderia deixar que trouxesse
isso para dentro de mim. Eu amo como quem acorda todas as manhãs ouvindo os pássaros.
Eu amo com a alegria de quem ouve a chuva a noite molhando as arvores enquanto
sonho que sou uma arvore. Eu amo porque meu coração é delicado e leve. Eu amo
porque o amor permite que me veja na vida como sou e não por vergonha ou
desprezo pelo que deixei ser a minha vida. Você precisa da dor para continuar acreditando
em seu medo.
Chorei
silenciosamente. As lágrimas despencavam de meu rosto. Tomiko me abraçou afetuosamente. Quis abraça-la com
força, beijar-lhe a boca, joga-la contra a parede, rasgar suas roupas e ama-la
com violência.
Era a
mais pura verdade que tinha medo de amar como todos os normais amavam. Era
verdade que amava o medo que alimentava uma dor que não sabia de onde vinha. Na
dor, refugiava um sentimento que escondia uma verdade que nunca era dita e que
talvez não conhecesse, mas acreditava que era minha e precisava mantê-la presa.
Desejei
que Tomiko lambesse minhas lágrimas e beijasse minha boca. Desejei que depois
ela me açoitasse com delicadeza para que eu afinal entendesse o que é amar sem
medo.
(Fim da 12ª parte – continua)
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