quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Sexo virtual (contos)



            Correspondiam-se a tempos numa daquelas salas de bate-papo pela internet até que um dia ele a convidou para passar o fim de semana com ele.
            De inicio sentiu-se apreensiva, afinal, mesmo depois de tanto tempo ele continuava sendo um estranho.  Mas ele, tão sedutor, tão charmoso, acabou por convencê-la.  As despesas ficariam por sua conta. Da passagem a hospedagem, incluindo refeições e tudo que precisasse.
             Ela protestou, embora não tivesse condições de bancar por conta própria tal empreitada, mas novamente cedeu, aceitando apenas a passagem e a hospedagem.
              Tudo acertado embarcou feliz, comentando com as amigas sobre sua aventura e informando que manteria contato diário ao menos três vezes por dia, sendo a última quando estivesse no hotel.
         Meia hora já havia se passado e ela continuava aguardando que ele viesse busca-la no aeroporto. Andava de um lado a outro com a pequena mala nas mãos olhando as coisas, as pessoas e a insegurança e o medo já começam a crescer dentro dela quando um senhor de terno negro aproximou-se e perguntou se ela estava esperando o doutor Alberto.
                Pega de surpresa e meia sem ação confirmou que sim. O senhor então se identificou como  motorista dele e se ofereceu para carregar a mala. No caminho até o carro ele comunicou que o doutor Alberto teve que se ausentar do país de modo urgente e como combinado não poderia passar o final de semana com ela. Entretanto, incumbiu-o a ficar a disposição dela o tempo em que permanecesse no Rio.
                No caminho para o hotel foi mostrando os pontos por onde passavam, fazendo rápidas intervenções sobre a história de cada um.
                Ela imaginava que o homem já devia ter feito isso inúmeras vezes e que ela seria apenas mais uma que se encantara com o doutor Alberto, o “Betinho” como se apresentava na sala de bate-papo.  O que não esperava é que o próprio tivesse outro compromisso e a deixasse passar o final de semana sozinha, ou melhor, com seu motorista, que afinal, era educado, gentil e simpático.
             O hotel era magnífico. Do apartamento via-se quase toda a orla. Só aquela vista deslumbrante já valeria a viagem. Seu Raul, o motorista, deixou com ela um celular com seu número reafirmando o compromisso de estar a disposição dela o tempo que fosse preciso e com a instrução expressa do doutor Alberto de pagar todas as despesas.  
                Ela dispensou-o alegando que estava cansada, marcando para apanhá-la somente no final da tarde. Depois ligou para as amigas e contou o ocorrido.
              “Descansar nada sua boba”, disseram elas, “aproveite e vá a praia, divirta-se, afinal você esta no Rio de Janeiro”.
           Quando seus pés tocaram a água fresca do mar, seu corpo arrepiou-se completamente. Conteve a euforia e procurou comportar-se como se estar ali fosse a coisa mais natural do mundo. Olhou os rapazes jogando futebol, jogando frescobol, as moças com seus biquínis minúsculos, os corpos bronzeados, atraentes. Até se esquecera do “doutor” Alberto que a essa hora estava em Londres numa enfadonha reunião de negócios.
           Saiu da água e sentiu o calor do sol aquecendo sua pele branca, quase virgem de sol. Sentou-se na areia e apreciou tudo que se desenrolava a sua volta. Os seios endurecidos pela água gelada despertava-lhe a vontade de se dar, de compartilhar a alegria que sentia. Imaginou Betinho ali com ela repetindo em seu ouvido  aquelas coisas que escrevia na sala de bate-papo e seu desejo aumentou. Via os rapazes passando por ela, o volume brotando nas sungas e desejou que um deles, qualquer um se aproximasse, puxasse conversa. Betinho não precisaria saber.
       No apartamento, deliciou-se com o banho de espuma. Deslizava a mão por seu corpo ligeiramente bronzeado e de olhos fechados imaginava um daqueles rapazes morenos lhe tocando o sexo com a ponta da língua. Delirava de prazer. Gemia. Contorcia-se. Seus dedos se perdiam dentro de si.
          Jantou no próprio hotel e mais tarde seu Raul veio pega-la para mostrar-lhe a cidade, a vida noturna. Rodaram e rodaram e rodaram. Ela perguntava tudo e seu Raul respondia com precisão. Ela perguntou se poderiam ir a Lapa, tinha ouvido falar que era um lugar animado. Seu Raul explicou-lhe a história do bairro e ela ficou encantada. Quis saber como ele conhecia tanta coisa, sabia de quase tudo. Ele riu e completou com um “nasci e cresci nessa cidade, são cinquenta anos de amor por ela”.
           Na Lapa, ela sambou, bebeu cerveja, divertiu-se a valer, sempre observada pelo motorista. Voltaram para o hotel quando já amanhecia.
                Antes de sair do carro, pediu desculpas por tê-lo feito ficar com ela até aquela hora. Mas ele disse um “tudo bem” tão tranquilo que a acalmou. Perguntou se ela não gostaria de caminhar um pouco pela praia e ver o nascer do sol.
            Estavam sentados lado a lado vendo os primeiros raios do sol surgindo lá do fim do horizonte, como se brotasse do próprio mar.
 “A senhorita esta feliz?” Indagou seu Raul olhando-a parcialmente.
Ela continuou com o queixo entre as pernas, o vestido branco deixando parte das coxas a amostra. “Sim, estou. Por um momento gostaria que isso fosse para sempre.” Respondeu enquanto o brilho laranja do sol despontava iluminando seu rosto. “E o senhor?”
Seu Raul abriu um sorriso e não falou nada. Ela agradeceu por tudo que havia feito, sua dedicação e paciência. Depois  beijou-lhe no rosto.  Seu Raul quis abraça-la, porém conteve-se.
No domingo, final de tarde ela pegou o avião com destino a Salvador. Seu Raul ficou vendo o avião subir, perder-se no escuro da noite que se fechava sobre a cidade.
Segunda-feira, mal acordou correu para o computador. Betinho já estava lá, esperando-a com mil pedidos de desculpas por tê-la deixado sozinha. Ela falou de tudo que fez, dos lugares lindos, etc etc e tal. Coisas que para ele eram tão banais.  Algum tempo depois ele informou que precisava sair pois tinha outra reunião importante e que a noite conversariam melhor. Despediram-se.
Seu Raul desligou o computador. Estava feliz. Olhou seu modesto apartamento, um quarto e sala encravado numa rua qualquer do subúrbio. O comprovante do saque de sua poupança sobre a mesa. Levantou-se, pegou o terno negro embalado no saco transparente com o logo da loja de aluguel de roupas e a chave do carro alugado que precisava devolver antes do meio-dia.
(Sexo Virtual – Ivo Linhares)

3 comentários:



  1. Wilma Silva Lopes

    21 de dezembro de 2012 14:27


    maravilhoso!! fiquei na torcida por seu Raul !! achei que que eles não resistiriam ao pôr do sol...rss..Adorei seu texto Ivo de Paula!

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  2. Adriana Kamaria

    21 de dezembro de 2012 01:04


    Maravilhosooooooo.... Ai, que se fosse eu acho que nem pensaria no Betinho... Garrava Raul na Lapa e seria mais feliz do que tinha sido... Livroooooo Ivo de Paula!! PLeaseee ;)

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  3. Paula Andrade

    21 de dezembro de 2012 13:10


    Ameiiiiiiiiiiiiiiii!!!

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