Naquela
tarde de primavera, a senhora Keiko resolveu, pouco depois de tomar chá, sair
mais cedo da casa de sua irmã porque queria comprar legumes e pedaços de carne
de porco para o jantar.
Ao
entrar em casa ouviu o riso de Midori que vinha do seu quarto. Ainda com a sacola nas mãos caminhou até o aposento.
Midori
estava nua deitada sobre Utada, também nua e trocavam um longo beijo.
Midori
tentou olhar para a mãe do mesmo modo que sempre olhara, mas não conseguiu. A
senhora Keiko também não conseguia olhar para Midori como sempre a olhara.
Ergueu-se entre elas uma barreira misteriosa, regida por um certo preconceito.
Mais
tarde, quando todos já haviam se recolhido e a mãe de Midori tentava dormir, em
seu quarto, deitada na cama olhando para o teto Midori pensava: “Foi melhor assim.
Uma hora isso teria de acontecer. Só não queria que fosse do modo como foi.”
(Fim da 43ª parte – continua)
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