segunda-feira, 1 de outubro de 2012

AMOR E MEDO (32ª parte)



- O que eu tinha? Tinha um ótimo emprego, boa situação financeira, um marido exemplar que vivia mais para seus negócios do que para sua esposa. Tinha pessoas a minha volta. Tinha sexo com um homem que só cumpria com sua obrigação e não se importava se me fazia feliz ou não. Isso era minha vida. Mas um dia, sempre existe um dia em que se deixa de acreditar naquela vida como sendo a melhor ou a que merece e então, numa fração de segundos, como se ouvisse o assovio da bomba caindo e se tem somente poucos segundos para descobrir que você vai morrer mesmo que tente se esconder em qualquer buraco e mesmo assim se tenta fugir eu fiz.
         Koike Satoshi piscou devagar, em câmera lenta, a respiração pausada, continuou imóvel, pernas cruzadas, as mãos segurando os cotovelos. Espero que pergunte o que fiz. Ele continua calado, o olhar no meu, piscando lentamente. Preciso pensar no que ele esta pensando. Entrar em sua mente.
- Fiz aquilo que queria fazer. – Digo afinal, sem esperar que ele faça a pergunta. – Fiz o que deveria ter feito bem antes de assumir aquela identidade apagada de Midori Hirata, a funcionária certinha, competente, submissa.
         Assumo um ar de vitória. Fico o mais ereta possível, a cabeça erguida, vontade de erguer o punho fechado no ar, como os Panteras Negras fizeram em 68, nas olimpíadas no México.


 (Fim da 32ª parte – continua)

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