- O que eu tinha? Tinha um ótimo emprego,
boa situação financeira, um marido exemplar que vivia mais para seus negócios
do que para sua esposa. Tinha pessoas a minha volta. Tinha sexo com um homem
que só cumpria com sua obrigação e não se importava se me fazia feliz ou não.
Isso era minha vida. Mas um dia, sempre existe um dia em que se deixa de
acreditar naquela vida como sendo a melhor ou a que merece e então, numa fração
de segundos, como se ouvisse o assovio da bomba caindo e se tem somente poucos
segundos para descobrir que você vai morrer mesmo que tente se esconder em
qualquer buraco e mesmo assim se tenta fugir eu fiz.
Koike
Satoshi piscou devagar, em câmera lenta, a respiração pausada, continuou imóvel,
pernas cruzadas, as mãos segurando os cotovelos. Espero que pergunte o que fiz.
Ele continua calado, o olhar no meu, piscando lentamente. Preciso pensar no que
ele esta pensando. Entrar em sua mente.
- Fiz aquilo que queria fazer. – Digo afinal,
sem esperar que ele faça a pergunta. – Fiz o que deveria ter feito bem antes de
assumir aquela identidade apagada de Midori Hirata, a funcionária certinha,
competente, submissa.
Assumo
um ar de vitória. Fico o mais ereta possível, a cabeça erguida, vontade de
erguer o punho fechado no ar, como os Panteras Negras fizeram em 68, nas
olimpíadas no México.
(Fim da 32ª
parte – continua)
®
Direitos de reprodução reservados
Nenhum comentário:
Postar um comentário