sexta-feira, 6 de julho de 2012


FÍSICO



                Eu não sou viado, disse Paulão olhando pro chão. Não tenho vontade de ficar dando a bunda por ai, continuou, mas dessa vez apertando o bíceps com força, deixando a marca dos dedos no braço. Fiquei calado, olhando pra cara dele. Respondi que não precisava falar nada por que o conhecia há um tempão e mesmo assim não tinha nada com a vida dele. Ele continuou apertando o braço, o direito, depois o esquerdo e percebi que a voz estava meio engasgada como quem quer chorar e não consegue, não pode, não quer. Se chorasse ia entender, mas ele não chorou por que ai seria muita viadagem. Falei que não precisava contar  nada  do que aconteceu porque já tinha entendido. Mas acho que ele queria falar.
- Tu lembra do cara? - disse Paulão ajeitando o pau dentro da sunga -Ele chegou enquanto ainda estava fazendo a primeira serie de exercícios, acho que tava na sexta ou sétima subida, não me toquei bem, era só mais um que vinha se exercitar, afinal foi pra isso que colocaram aqueles aparelhos na praia.  Foi só quando você começou a sua série é que comecei a notar que ele subia e descia com ritmo. A respiração era controlada e nem dava pra perceber. O cara parecia uma pluma, não fazia nenhum esforço. Tu chegou a perceber?
        Respondi que não, que tava concentrado na serie,  sentindo meus músculos trabalharem.
- Ai eu fiquei olhando pra ele e esqueci de contar a tua serie.
        Eu tinha percebido e foi essa merda que quebrou a minha concentração mas não disse nada pra não parecer que era desculpa.
- Depois a Soninha veio e você desceu pra conversar com ela, e o cara lá subindo e descendo, na maior.

        Já havia saído com a Soninha umas duas vezes e ela queria saber se eu tava afim de ir na Help  a noite. Falei que não dava porque tava duro mas ela disse que bancava tudo. Fiquei bolado com isso porque quando uma mina começa a te bancar vai querer exclusividade. Depois que ela foi embora vi que nem o Paulão nem o coroa estavam mais ali.
- Enquanto vocês conversavam, ele desceu da barra e puxou assunto... nada importante, coisa pra quebrar o gelo. O cara falou que tinha uma espécie de academia na casa dele e perguntou se eu queria ir lá pra treinar. Ele era professor de educação física aposentado.
        Paulão cobriu um dos pés com a areia ainda fresca. Olhei o mar azul por cima dos ombros dele e vi que os surfistas começavam a chegar.
- Cara, tinha que ver os aparelhos! Tudo importado! Coisa que nunca tinha ouvido falar. O cara me explicava como funcionava, deixava testar e falava do resultado final... fiquei maluco!    
        Aí vi que Paulão era mesmo fissurado nessas paradas do corpo. Deu vontade de perguntar: se o cara tinha uma academia em casa porque vinha malhar na praia? Pra se mostrar? Mas Paulão continuou, dessa vez empolgado:
- Com aqueles aparelhos o trabalho muscular tinha outra dimensão mané! O corpo reagia de outro modo e com um cara que entende ali do teu lado, exclusivo, te orientando era outra coisa!      
        Deu uma parada e esperou que eu falasse alguma coisa, mas fiquei calado porque não tinha a menor intenção de mostrar que queria ouvir o resto da historia. Nesse momento bateu foi uma vontade de encontrar a Soninha de novo, mas pra ir direto pro motel, no máximo tomar um chopp antes e comer um bagulho qualquer.
- Ai veio o lance do espelho – falou Paulão baixando o olhar pra areia.
        Também olhei pra baixo e depois pro mar.
- Sei.
        Nem sei porque disse isso, acho que devia ter dito porra que merda, mas acabou saindo só isso.

- Tava em frente ao espelho olhando meus músculos quando ele veio pelo lado e começou a mostrar os músculos dele sem olhar pro espelho. Cara, o corpo dele era todo definido, sem nenhuma gordura sem nenhuma pelanca, o coroa era inteirinho.  O abdômen parecia uma placa de ferro...

        Na noite que sai com a Soninha ela estava maravilhosa com aquele vestidinho curto e apertado. E aquela calcinha preta? A calcinha era menor do que a marca do biquíni e me deixou pra lá de excitado. Só de pensar já dá tesão.

- Falou pra eu tocar no peito dele. A sensação era de um troço compacto, sem falhas. Depois pegou minha mão e mandou que apertasse sua bunda com força.

        Quando ela fica por cima e sobe e desce devagar aí é que me mata, tenho que me controlar pra não estragar tudo.

- Cara... a bunda dele parecia uma rocha, e olha que apertei mesmo.

        A bundinha da Soninha é algo do outro mundo, pena que ela não libera.

- Pô, ai ele falou deixa eu apertar a sua e foi apertando. Cara, eu tomei um susto, meu corpo se arrepiou todo. A mão do cara pegou meu glúteo em cheio e me deu a maior vergonha... não chegava aos pés da nele nem por decreto. Ai percebi que ele falava e continuava segurando minha bunda e apertava com uma intensidade...

        Também é incrível quando fico por cima e a imobilizo com meu peso.

- Depois ele passou a mão no meu tórax e falou que devia trabalhar mais aquela região...  desceu  a mão pro abdômen...

        Termina logo com essa merda quero dizer pro Paulão, mas acho que não fica legal. Deixo ele continuar, mas ele deu uma travada, parecia que tava vivendo a coisa novamente. Sentou na areia. Também sentei. Ele abraçou as pernas e enfiou o queixo entre elas.

- Sei que de repente não conseguia ouvir mais nada. Senti meu corpo tremendo e meu pau subindo e eu ali parado como uma estatua querendo ignorar aquilo. Quando ele percebeu deixou a mão descer ainda mais, passou de leve por cima do meu pau e foi pegar o pectineo e depois o adutor médio, aqui na parte de dentro das coxas.

        Como se não soubesse que esses músculos ficam nas coxas. A gente tá cansado de ouvir os caras da academia falarem nessas merdas. É estranho a Soninha não ter esses músculos, as coxas dela são redondinhas.

- Depois ele pegou minha mão e colocou no pau dele que também tava duro ai me abraçou e pude sentir seus músculos se apertando contra os meus mas havia uma diferença tão grande que me deu uma puta inveja. Como é que pode, eu, um cara cheio de saúde, garotão, com esse corpo e o coroa como se fosse um blindado de guerra?

        O corpo de Soninha é macio como um travesseiro de espuma, as vezes dá até pena ficar por cima dela, mas ela gosta. Porra, que saudade do corpo dela!

- Quando me toquei ele tava beijando meu peito, descendo, aquelas mãos no meu corpo como se ele estivesse descendo por uma escada e segurando num corrimão.

        As mãos dela são pequenas e quando seguram meu pau pra ela chupar deixam quase um palmo ainda pra fora.

- Sabia o que estava acontecendo mas só pensava na beleza do corpo dele. Senti suas mãos puxando minha sunga devagar e pelo espelho deu pra ver meu pau pulando pra fora. Foi descendo a sunga até o chão depois veio devagar e botou meu pau na boca deixando sentir o hálito quente.

        Quando Soninha faz isso eu vou a loucura! Aquela boca é mágica!

- Aos poucos percebo que meu corpo começa a se contorcer e vejo que estou na ponta dos pés com a cabeça dele entre as minhas pernas. O gastrocnémio interno todo esticado com o costureiro já doendo, mas não me importo, estou sentindo uma coisa que nunca havia sentido no meu corpo, entende? Meus músculos estão trabalhando de uma forma que nunca imaginei que pudessem ser trabalhados. As mão apertam meus glúteos enquanto subo  e desço na ponta dos pés,  minhas mãos rodam pela cabeça dele assim como quem brinca com uma bola... sinto que ele vai levantando enquanto me puxa para baixo... a boca saindo devagar do meu pau fazendo pressão... ai fico de joelhos e timidamente puxo a sunga dele para baixo. O femoral esta totalmente tensionado e minha  bunda toca meus calcanhares. Fecho os olhos e vou tocando o pau dele com minha boca. Uma de suas mãos entra por baixo do meu cabelo e aperta minha nuca.

        Uma nuvem cobre o sol e a areia perde o brilho. Olho o mar que parece estar cinza. Quero esticar as pernas mas ainda sinto o tesão por Soninha preso no meu corpo. Quando o sol volta parece uma tocha, fecho os olhos por um segundo e vejo Soninha nua numa academia.

       
        Bisonho esta me esperando na padaria bebendo uma coca junto ao balcão. Aperta minha mão, depois me passa o bagulho e bebe de uma vez o resto do liquido. Saímos juntos e cada um pega sua moto. Lá na frente ele entra na Santa Clara e eu sigo em frente. Vou  pegar o Paulão na casa dele.
        Buzino insistente até que Paulo aparece, aperta a minha mão antes de subir na moto, depois eu acendo o bagulho e a gente fuma enquanto vamos pra Barra.

        Sinto uma estranha felicidade, uma coceira na garganta que me faz querer rir. Sinto o corpo do Paulão encostado ao meu de um modo que nunca tinha percebido quando ele anda de moto comigo. As pernas dele parecem que me apertam e quando freio seu corpo parece querer entrar no meu. Marquei mais tarde com a Soninha mas minha vontade é de ficar rodando de moto com o Paulão. Minha vista arde e quando paramos num sinal eu falo pra ele enquanto acelero a moto só pra fazer barulho:

- Cara, como foi mesmo aquele seu lance com o coroa? 




(Este conto faz parte do livro "O ARCO-ÍRIS NO FIM DO POTE DE OURO" de Ivo Linhares)

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