quinta-feira, 17 de abril de 2014

Acordou por volta das três da madrugada.
Chovia e apesar do frio dormiam nus agasalhados pelo grosso cobertor colorido. Virou-se para ela e  a abraçou devagar com receio de acordá-la. Ao contato dos corpos e pelo calor que emanavam logo seu pau cresceu. A pontinha da cabeça encostada no rego volumoso o fez desejar que ela acordasse.
 Aproximou-se de seu ouvido e se pôs a falar com voz de locutor das viagens que fez enquanto meditava. Falou do encontro com os deuses, sobre o que conversaram e da beleza dos caminhos que percorria nesse transe. Falou que viu, quando transaram, estrelas saindo do cabelo dela e que subiam para iluminar o teto do quarto deles.

Acordou no dia seguinte e antes de abrir os olhos ficou ouvindo a chuva que explodia nos vasos das plantas no parapeito da janela. O corpo quente dele junto ao seu a excitou. Sentiu a respiração dele em sua nuca e passou a língua nos lábios desejando ser beijada. A vontade de sugar-lhe a língua cresceu aumentando seu tesão. Pensou em virar-se e tocar com os seus os lábios dele.
A chuva aumentara como no auge de uma sinfonia que se prepara para o final apoteótico.
Suspirou devagar. Sentiu-se envolvida por um amor suave. Tudo parecia perfeito.
Sorriu de leve e sem querer adormeceu novamente.


(Um conto especial para Adriana K.)

Um comentário:

  1. Que coisa mais linda!!
    Gratidão pela honra da dedicação... Tuas palavras me movem por lugares desconhecidos e me enfiam dentro dos contos... Me transporto... Sinto e vejo tuas palavras como realidades...

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