“Tua pele é um pergaminho que guarda mensagens
cifradas”.
Ela riu.
“Tocar tua pele me deu medo, me fez sentir como se
estivesse boiando na imensidão do mar, me fez viajar, me disse quem sou”.
Ela riu e perguntou:
“Mas deu prazer?”
Os olhos dele desviaram e procuraram ao redor um
ponto de referência.
“Não sei mais sentir isso. É como ser sua própria
sombra”.
O sorriso dela se desfez. Os olhos amendoados se
fecharam um pouco pondo em seu rosto uma expressão de dúvida. Ela o sentiu como
uma pirâmide. Para chegar até suas riquezas seria preciso primeiro descobrir
como se entra.
“Pelo jeito parece que não foi possível decifrar o
pergaminho, mas em compensação serviu para revelar seus mistérios”.
Ele estava diante da mulher com o corpo de leão,
asas de águia e cauda de serpente. O enigma da esfinge. Decifra-me ou te
devoro.
Nos minutos de silencio em que se envolveram era
impossível descobrir no que pensavam.
O gosto da pele dela ainda lhe queimava os lábios.
Ela ainda sentia no pescoço o calor da boca delicada
que lhe soprou pequenas palavras sussurradas que não pode distinguir, porém as
recebeu como um mantra.
Entre eles as sensações dos toques dos dedos, os
olhares camuflando expressões de encantamento, de busca, o ar emoldurado pelo
doce perfume do desejo, da descoberta.
O beijo veio tão devagar que puderam sentir a
eletricidade dos corpos nos lábios antes mesmos de se tocarem. As mãos dele na
cintura dela como se aquele corpo fosse de um cristal finíssimo prestes a se
estilhaçar ante uma pressão mais forte.
Despiu-a passeando os dedos por sua pele enquanto
descobria caminhos, trilhas, atalhos que faziam seu o corpo tremer.
E após esses pequenos
passos em direção a longa estrada do prazer deitaram-se deixando que suas almas flutuassem em busca outros
mundos.
PERGAMINHO
Ivo Linhares
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