quinta-feira, 28 de agosto de 2014

COMO UM LIVRO

COMO UM LIVRO

Passava o dedo pela pele morena das costas dela como quem virava a página de um livro feito de pétalas.
Ela sorria e mordia os lábios não contendo o tesão que lhe subia pela espinha em um arrepio até a  nuca. Os dedos dela formavam letras no amassado do lençol.
As palavras em seu corpo se misturavam as frases que os dedos dela arrancavam do lençol cada vez mais rápido. Suavemente o corpo dele deitou-se sobre o dela e como uma borracha apagou todas as letras, todas as palavras.
Agora eram os sons incompreensíveis do amor que ambos sussurravam entre os beijos úmidos que preenchiam o ar.

Acordou antes que o sol visitasse o quarto. O homem dormia nu abraçado ao travesseiro. Quis tocar-lhe as costas amplas, afagar as nádegas duras, arredondadas, mas não o quis acordar. Tocou em seu próprio sexo como se desenhasse figuras na areia úmida da praia.
Em pouco tempo o ventre se comprimia estufando o peito e pelas narinas expulsava o ar quente do desejo.
E quando finalmente gozou foi como se  suas unhas tivessem assinado no lençol branco seu nome numa carta de amor.

Desceu devagar da cama arrastando para o chão as letras. Olhou novamente o homem nu e sorriu.
Saiu do quarto sem perceber que seus pés tropeçavam em palavras.


(Um conto para Leia O.)

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