Preocupados, intelectuais,
artistas, cientistas e quem podia resolveu abandonar o país. Quem não havia
assumido sua verdadeira identidade continuou, mas com medo de ser descoberto.
Estudantes, aproveitando a
insatisfação pela obrigatoriedade do estudo da religião, principalmente a dos
Cultuadores, foram para as ruas. A eles se juntaram outros segmentos.
Lógico que a repressão foi dura.
Não existia no atual governo espaço para protestos, ainda mais de cunho
religioso. Manifestações só as favoráveis, como “a marcha pelo livro sagrado em
favor da verdadeira família”.
Houve, milagrosamente, somente
uma morte. Uma estudante indígena metralhada sem qualquer justificativa.
Mas nada foi divulgado nos
jornais ou nos noticiários.
Então veio a revolução.
Arqueiros indígenas emboscaram o
prefeito e o assassinaram com mais de quinze flechas em represália a morte da
estudante indígena.
A resposta do governo foi rápida
e como nos velhos filmes de caubói uma tropa da guarda metropolitana invadiu e
matou dezenas de índios no bairro indígena.
Então agora era a guerra.
Mesmo estando proibida a venda ou
fabricação de armas em todo o país um grupo conseguiu através do que restara
dos traficantes dos poucos morros que ainda não haviam sido convertidos, uma
pequena quantidade de armas. Era o suficiente.
O grupo, formado em sua maioria
por estudantes era comandado por um professor de filosofia aposentado. Usava
uma boina igual a de Guevara seu ídolo, e um fuzil AK 47 igual ao que Fidel
presenteara Allende em sua visita ao Chile.
A primeira ação foi rápida. Logo
após os cultistas se dispersarem do culto o grupo invadiu o templo e se
apropriou das doações. Incendiaram o local e na calçada escreveram com tinta
fluorescente:
“A Satanás, com um abraço”
Dias depois o incêndio foi divulgado
pelo rádio, televisão e jornais.
Provavelmente causado por um curto-circuito.
(VIVENDO OUTRA PESSOA – IVO LINHARES)
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