Tenho
medo daquilo que conheço e vejo antes de dormir.
Sinto
quando fecho os olhos que minha cama é apenas uma pequena embarcação balançando
a noite no meio de um oceano onde não há peixes mas pessoas nadando ao meu
redor.
Estou
deitada no convés olhando as estrelas sem me importar de estar perdida no meio
do nada.
Não
amo essa solidão, porém é tudo que me
restou para viver.
Viver
além de todas as lembranças dos medos, dos pequenos fantasmas que criei, das
pessoas que sufoquei enquanto levava meu dirigível Zeppelin para a estratosfera
de todas as emoções que meu corpo não podia comportar.
Não
amo a mim mesma e ao corpo que não me suporta e debocha dos meus sentimentos
fazendo-me ser ridícula diante de todas as pessoas que convivem em harmonia no
casamento do corpo e da alma.
Sou
uma viajante das gotas de álcool que entorpecem o lado ruim da cabeça que
comanda o corpo e o engana possibilitando que ele se transforme em um barco em
forma de cama e faça ser quem quero ser até que o efeito da bebida se dissolva
e me afunde na dureza dos lençóis em todas as manhãs que acordo só.
Tenho
medo do pedaço de lua que se rasga por entre a cortina do quarto, como luz de
um farol, e não me leva a qualquer outro destino que não é aquele que já
conheço e vivo. Prefiro o sol que me queima a pele e me mostra sem retoques.
Não
sou possível em qualquer mundo, nem mesmo no que inventei em viver. Deixo rastros, pegadas que ninguém quer
seguir porque não sou caça digna de virar troféu na parede para ser admirada enquanto
tomam licor de gengibre e falam do prazer em serem caçadores.
Tenho
medo da pouca felicidade que crio quando me masturbo e que mal fica em mim
quando abro os olhos e vejo o subproduto que restou de meu gozo preso entre
meus dedos. Vivo em partes, trancando portas, escondendo coisas que me ferem,
amontoando caixinhas com tarjas pretas debaixo da cama para dizer aos pouquíssimos
amigos que tenho um monstro morando comigo.
(SEXO
VIRTUAL - IVO LINHARES)
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Dizer que mais uma vez fui sugada por esse conto pode ate parecer um clichê, mas não é, cada conto tem sua particularidade de nos toca de forma diferente... Simplesmente amei.
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