PRESENTE DE ANIVERSÁRIO
Sempre viajo no meu aniversário. Não como presente que me dou mas para evitar receber "parabéns". É uma esquisitice eu sei, porém sou assim.
Uma coisa que gosto de fazer quando não tenho nada para fazer é ficar sentado de frente para minha estante repleta de livros tomando vinho. Passo horas ali vendo os títulos, lembrando das histórias, dos assuntos, dos autores, de como comprei cada um deles. Eu sei que é uma esquisitice.
Uma vez por ano também tiro um dia para limpar as armas da coleção que era de papai. Cada arma deve ter um história, deve ter matado alguém, defendido algo, ameaçado um ou outro. Colecionar algo deve ser meio esquisito. Cada um tem suas manias.
Não é diferente do cara que mata em série. Não sei se é uma mania, uma compulsão... mas é fato que o assassino precisa daquilo para continuar sua vida. Sua vida não é nada sem esse habito.
Todo ser humano é uma caixinha de surpresas. Boas ou ruins. Ninguém esta livre da anormalidade, da patologia, do desejo compulsivo de fazer coisas sem saber exatamente porque as faz.
Como comemorar o aniversário. Festejar por um dia uma felicidade que as vezes não existe o ano inteiro. E naquele dia pessoas que nunca te procuram ligam e te desejam um monte de coisas.
Uma esquisitice.
Lembro de um aniversário. Foi quando me separei da minha primeira mulher, uns meses antes. Comprei uma passagem para o nordeste e no aeroporto aluguei um carro para ficar rodando sem destino. Quando parei para reabastecer num posto a beira da estrada uma garota se ofereceu para um programa. Era um menina ainda. Bonita. Uma daquelas meninas cujo corpo parece estar se transformando mas no fundo já são mulheres. Perguntei porque fazia aquilo e ela respondeu o velho bla-bla-bla de sempre. Perguntei quanto era o programa.
Ela jogou o preço um pouco para o alto mas mesmo assim não era nenhuma fortuna. Dei-lhe o dobro e pedi que fosse para casa brincar com sua boneca.
Ela me devolveu o dinheiro dizendo que não aceitava esmolas. Vendia o corpo porque era sua profissão. Era seu trabalho.
Trabalho. Aquele trabalho lhe dava dignidade. Mesmo que não gostasse do que fazia havia uma dignidade em considerar aquilo como trabalho. Sem querer eu a havia humilhado.
Pedi desculpas.
Não que eu estivesse com vontade de trepar com ela, contudo, senti necessidade de reparar meu erro.
Saímos do posto e rodamos por alguns quilômetros. Entrei com o carro por uma estrada meio encoberta pelo mato e parei.
Ela retirou a calcinha e abriu minha calça.
Chupou-me como uma profissional e com habilidade colocou a camisinha em meu pau. Depois subiu sobre ele e se movimentou. Surpreendeu-me. Apesar de aparentar pouca idade sem dúvida era uma profissional.
Você não goza? Perguntava enquanto continuava se movimentando após uns quarenta minutos.
Podemos ficar aqui a noite toda. Respondi.
Ela estava nua e suava. O corpo escorregava em minhas mãos. Apertei-lhe as ancas e com voz de locutor pus-me a falar em seu ouvido coisas que qualquer mulher gosta de ouvir. Sua respiração começou a se modificar e senti que seus movimentos profissionais iam se dissolvendo para dar lugar a outros mais espontâneos. Uma de minhas mãos subiu-lhe as costas devagar, explorando, até entrar em seus cabelos pela nuca. Senti sua vagina se lubrificando.
Meia hora depois, após vários orgasmos ela caiu para o lado, quase que desmaiada.
Olhei a menina me olhando com os olhos entreabertos e um sorriso de satisfação no rosto.
Muita coisa me passou pela cabeça naqueles minutos vendo-a assim. Mas não me sentia um canalha.
O mundo era assim.
Feito por coisas estranhas e por pessoas esquisitas.
Deixei-a no posto novamente e antes de sair do carro disse seu nome e que iria me esperar sempre.
Fiz-lhe um carinho no rosto e sorri. Fazê-la gozar havia sido meu presente de aniversário.
Quando passei pelo local em que a havia comido, parei.
Desci do carro e toquei uma punheta.
Gozei com vontade e aliviado.
Jamais poderia levar aquilo comigo.
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