Para se chegar ao
banheiro passava-se por três portas, sendo que a última desembocava em
um corredor fracamente iluminado e cujas paredes eram cobertas por heras
avermelhadas. Ao final dele surgia um amplo jardim tomado por
roseiras de todas as cores. Ao fundo havia uma fonte incrustada na
parede alimentada por uma estátua seminua de uma mulher despejando de um
jarro que lentamente alterava de cor da água que caia. Podia se ouvir
uma suave melodia intercalada por trinados de vários pássaros.
Não era um banheiro comum. Era um lugar de reflexão. Como na verdade eram todos os banheiros.
Carolina estancou diante
de que via. O perfume das rosas lhe fazia lembrar aromas da infância,
de momentos intensamente felizes de brincadeiras, de descobertas.
Eve ardia em desejos que lhe escapava pela respiração ofegante. Mordia os lábios quase em desespero.
Carolina deixou de
sentir a mão suada de Eve na sua. Seu corpo relaxou por completo e em
segundos ouviu o apito do trem e viu-se a correr com as outras meninas e
meninos pela rua do bairro do subúrbio para ver o trem. Na volta,
passavam na casa de dona Nazaré que lhes dava limonada em copos de
plástico colorido no pequeno jardim na entrada da casa onde sentia o
perfume das rosas amarelas que cultivava.
Soltou a mão de Eve e
depois tirou os sapatos. Naquele momento a única coisa que queria fazer é
correr pela grama para ver o trem.
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