Ficou deitada.
Ouvia Cyrille Aimée.
A voz brincando com o ritmo e misturando-se a seus pensamentos.
Esticou-se na cama como uma gata manhosa. Depois levantou ágil rodopiando serelepe ao som da música. Era
feliz.
Abriu as cortinas do quarto e viu o sol sobre a grama do jardim onde
as borboletas davam curtos rasantes.
O pé esquerdo tamborilava acompanhando a voz de Cyrille Aimée. Do
corpo esguio fluía a energia vibrante de uma alma irrequieta e indócil que
buscava mais do que viver.
*
* *
Sentia a vida como a água fria
do chuveiro espatifando-se sobre sua cabeça e ria vendo essa mesma água se
unindo novamente a seus pés para se perder pelos canos, voltando aos rios, aos
mares, virando chuva que lhe cairia novamente sobre a cabeça.
Ciclos da vida. Perdas e ganhos.
*
* *
A bicicleta amarela desce as ruas. O vento entra pelo short curto de Dane
como uma mão acariciando a pele branca e macia. Ela ri com os olhos para as
pessoas que tentam vê-la passar voando em sua magrela amarela.
A vida podia ser sempre assim: O sol, o vento, uma bicicleta amarela e
uma estrada florida para levar uma menina-mulher a acreditar em todos os amores
que nunca pensou em viver.
(curto conto para D B)
Nenhum comentário:
Postar um comentário