sexta-feira, 11 de julho de 2014

D B

Ficou deitada.
Ouvia Cyrille Aimée.
A voz brincando com o ritmo e misturando-se a seus pensamentos.
Esticou-se na cama como uma gata manhosa.  Depois levantou  ágil rodopiando serelepe ao som da música. Era feliz.
Abriu as cortinas do quarto e viu o sol sobre a grama do jardim onde as borboletas davam curtos rasantes.
O pé esquerdo tamborilava acompanhando a voz de Cyrille Aimée. Do corpo esguio fluía a energia vibrante de uma alma irrequieta e indócil que buscava mais do que viver.
                                                               * * *
Sentia a vida  como a água fria do chuveiro espatifando-se sobre sua cabeça e ria vendo essa mesma água se unindo novamente a seus pés para se perder pelos canos, voltando aos rios, aos mares, virando chuva que lhe cairia novamente sobre a cabeça.
Ciclos da vida. Perdas e ganhos.
                                                               * * *
A bicicleta amarela desce as ruas. O vento entra pelo short curto de Dane como uma mão acariciando a pele branca e macia. Ela ri com os olhos para as pessoas que tentam vê-la passar voando em sua magrela amarela.
A vida podia ser sempre assim: O sol, o vento, uma bicicleta amarela e uma estrada florida para levar uma menina-mulher a acreditar em todos os amores que nunca pensou em viver.


(curto conto para D B) 

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