sexta-feira, 13 de junho de 2014

CHOCOLATE

Não havia mais a necessidade de saber. Saber que não precisava mais ter a necessidade de saber já o incomodava. Pensou nas possibilidades de não sentir necessidade de saber sobre qualquer coisa. Devia desistir de pensar. Era complexo demais ter tantas necessidades com as quais não queria ter vínculos. A mulher continuava a ter vida dentro dele por mais que a fizesse de sombra. Riu sem sentir graça. A mesma mulher que durante tanto tempo serviu-lhe de escudo contra o oportunismo dos amigos agora havia se fixado em sua alma.
Estava sentado completamente nu no sofá com a caneca aquecendo as mãos. O perfume do chocolate entrando em suas narinas junto com a fumacinha que se perdia pela sala. A chuva miúda cobria o entardecer de um julho frio e triste.
Deixou a caneca descer aproximando-a do pau esparramado sobre a manta colorida com a qual forrava o velho e querido sofá no inverno.
Ao contato com a caneca quente o pau estremeceu. Cresceu ligeiramente.
Deslizou a caneca pelo órgão lentamente, num movimento de ida e vinda enquanto o pau crescia mais rápido agora.
Fechou os olhos.
Não havia mesmo a necessidade de saber.

(CHOCOLATE – IVO LINHARES)


Nenhum comentário:

Postar um comentário