Não havia mais a necessidade de
saber. Saber que não precisava mais ter a necessidade de saber já o incomodava.
Pensou nas possibilidades de não sentir necessidade de saber sobre qualquer
coisa. Devia desistir de pensar. Era complexo demais ter tantas necessidades
com as quais não queria ter vínculos. A mulher continuava a ter vida dentro
dele por mais que a fizesse de sombra. Riu sem sentir graça. A mesma mulher que
durante tanto tempo serviu-lhe de escudo contra o oportunismo dos amigos agora
havia se fixado em sua alma.
Estava sentado completamente nu no
sofá com a caneca aquecendo as mãos. O perfume do chocolate entrando em suas
narinas junto com a fumacinha que se perdia pela sala. A chuva miúda cobria o
entardecer de um julho frio e triste.
Deixou a caneca descer
aproximando-a do pau esparramado sobre a manta colorida com a qual forrava o
velho e querido sofá no inverno.
Ao contato com a caneca quente o
pau estremeceu. Cresceu ligeiramente.
Deslizou a caneca pelo órgão lentamente,
num movimento de ida e vinda enquanto o pau crescia mais rápido agora.
Fechou os olhos.
Não havia mesmo a necessidade de
saber.
(CHOCOLATE – IVO LINHARES)
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