“Não foi por vaidade. Mas
por amor ao que existia dentro de mim. Ao mesmo tempo em que chorava de
tristeza eu ria de felicidade. Dois momentos tão antagônicos existindo ao mesmo
tempo dentro de uma pessoa. Vida e morte.”
Assim começava a carta
de Lavínia para Guta que logo após ler esse paragrafo desabou em um choro que
lhe tirava o ar. Caiu de costas sobre a cama apertando a carta sobre os seios.
Chorou
descontroladamente por muitos minutos ao ponto de perder as forças, quase os
sentidos.
As pálpebras pesavam. Lentamente
abriu os olhos. Já era noite velada. O
corpo lhe doía como se houvesse levado uma surra. Não tinha mais certeza se
queria continuar a ler a carta amassada entre seu corpo e o lençol. Não pelo medo
de sofrer, mas por não aceitar a morte de Lavínia. Queira fingir que havia tido
um pesadelo. Só isso.
Também havia a culpa. Uma
dor em seu estomago como se um monstro faminto lhe comesse as entranhas com o
furor dos famintos.
Um monstro chamado
remorso.
(BEM QUE
PODERIA NÃO SER ISSO QUE EU PENSEI QUE FOSSE – IVO LINHARES)
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