terça-feira, 7 de outubro de 2014

BEM QUE PODERIA NÃO SER ISSO QUE EU PENSEI QUE FOSSE (fragmento)

“Não foi por vaidade. Mas por amor ao que existia dentro de mim. Ao mesmo tempo em que chorava de tristeza eu ria de felicidade. Dois momentos tão antagônicos existindo ao mesmo tempo dentro de uma pessoa. Vida e morte.”
Assim começava a carta de Lavínia para Guta que logo após ler esse paragrafo desabou em um choro que lhe tirava o ar. Caiu de costas sobre a cama apertando a carta sobre os seios.
Chorou descontroladamente por muitos minutos ao ponto de perder as forças, quase os sentidos.
As pálpebras pesavam. Lentamente abriu os olhos. Já era noite velada.  O corpo lhe doía como se houvesse levado uma surra. Não tinha mais certeza se queria continuar a ler a carta amassada entre seu corpo e o lençol. Não pelo medo de sofrer, mas por não aceitar a morte de Lavínia. Queira fingir que havia tido um pesadelo. Só isso.
Também havia a culpa. Uma dor em seu estomago como se um monstro faminto lhe comesse as entranhas com o furor dos famintos.
Um monstro chamado remorso.

(BEM QUE PODERIA NÃO SER ISSO QUE EU PENSEI QUE FOSSE – IVO LINHARES)
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